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segunda-feira, 19 de março de 2012

Incursão

Cantares no ar ecoa enquanto
Eu fico a escutar a toa tua voz no espaço.
E no calmo envelhecer estardalhaço
Duma paixão a chamar teu nome.

Nos copados dos arvoredos o medo
É o codinome a vagar na imensidão
Da cidade ainda escura
Que não apura com detalhes os males impostos
A população.

E num triste olhar esse cantar
Esvaecesse sem a compaixão
Dos que a vida deveria procrastinar
Protegendo corpo, alma e coração.

Olhar não profundo, mas que deveria
Ladear o mundo
Em forma de utopia mostrando
Cada dia a importância do não sofrer.

Amor preste a morrer na tentativa
De amar e mal amar a imagem
Dos seres que em desespero vagam
Recorrentes à ilusão da própria vida...

De R J Cardoso

domingo, 18 de março de 2012

Tomara que major Curió conte o que sabe do Araguaia

 
'Curió', o herói da ditadura


O major do Araguaia sabe o que aconteceu há 40 anos naquele fim de mundo, tomara que conte

Sete procuradores tentaram processar o tenente-coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o "Major Curió", pelo sequestro, há quarenta anos, de cinco prisioneiros na região do Araguaia. Ex-oficial do Centro de Informações do Exército, ex-agente do SNI, ex-prefeito de Curionópolis (eleito pelo PMDB) e ex-deputado federal, ele é um dos personagens emblemáticos da anarquia da ditadura. Começou sua carreira em 1973, no extermínio da Guerrilha do Araguaia, iniciativa do PC do B que começou com a fuga do chefe político e terminou com a fuga do chefe militar. Transformado em condestável da maior mina de ouro a céu aberto do mundo, em Serra Pelada, em 1984 liderou a maior revolta popular ocorrida na região. Mobilizando dezenas de milhares de garimpeiros, dobrou o governo federal.

Curió já foi comparado ao mítico Kurtz, personagem de "No Coração das Trevas", de Joseph Conrad, recriado por Francis Ford Coppola no Marlon Brando de "Apocalypse Now". Algum dia aparecerá alguém capaz de mostrar o Macunaíma que há nesse Kurtz tropical que virou nome de cidade. Ele começa participando de uma matança, torna-se monarca numa mina e, aos 78 anos, é um patriarca municipal e megalomaníaco.


Não se sabe se "Curió" participou das execuções de que é acusado, mas ele conhece como poucos a história do Araguaia. Atribuem-lhe dois valiosos vazamentos de informações sobre a ação do Exército. Curió tornou-se o mais conhecido entre os oficiais, mas nunca comandou a operação. Era detestado pelos militares, que viam nele um oportunista.

"Curió" poderia ser um precioso depoente. Os comandantes militares dizem que os documentos do Araguaia foram destruídos. Meia verdade. É possível saber quais foram os cabos, sargentos e oficiais mandados para lá. Basta requisitar a documentação das concessões de Medalhas do Pacificador entre 1973 e 1975. Nem todos aqueles que as receberam estiveram no Araguaia e muitos foram condecorados por relevantes serviços, mas todos os que lá estiveram as receberam. Nesses papéis estão registradas as épocas em que lá serviram. Quem chegou àquele fim de mundo depois de outubro de 1973 sabe que a ordem, vinda de Brasília, era de matar todo mundo. Executaram os prisioneiros, inclusive aqueles que acreditaram em folhetos que os convidavam à rendição. Foram cerca de 50 pessoas, na maioria jovens.

"Curió" pode ter executado prisioneiros, mas não foi o único a fazê-lo e quem o fez estava cumprindo ordens. De quem? Dos presidentes Emílio Médici e Ernesto Geisel, e dos ministros do Exército: Orlando Geisel, Dale Coutinho e Silvio Frota. Por terem cumprido essa e outras ordens, "Curió" e os demais combatentes do Araguaia receberam a medalha.


De Elio Gaspari na Folha de São Paulo de 18/03/2012

quinta-feira, 15 de março de 2012

Acesso à pílula do dia seguinte ainda é precário

Quase uma década após o início da distribuição da pílula do dia seguinte no sus, o acesso ao contraceptivo de emergência é precário. Além da escassez, as unidades de saúde exigem receita para liberar a droga, que só previne a gravidez se ingerida até 72 horas após o ato sexual. Muitas vezes, porém, não há médico para fazer a prescrição e uma consulta com um ginecologista pode demorar até dois meses.

Acesso público à pílula de emergência permanece precário


Além de escassez, falta médico para assinar a receita e postos chegam a exigir presença dos pais para menor
Compra do remédio é feita sem prescrição; cartela com 2 comprimidos custa entre R$ 9 e R$ 23
Quase uma década após o início da distribuição da pílula do dia seguinte no SUS, o acesso a ela ainda é precário. Além da escassez, o principal entrave é que as unidades de saúde exigem receita para dar o contraceptivo.
Muitas vezes, porém, não há médico para assinar a prescrição no momento em que a mulher procura o posto de saúde.
Uma consulta com o ginecologista chega a demorar dois meses. A pílula só previne a gravidez se ingerida até 72 horas após o ato sexual.
Nas farmácias, as mulheres compram o remédio sem receita, por preços que variam entre R$ 9 e R$ 23 -cartela com dois comprimidos. A droga tem tarja vermelha, o que exige prescrição.
As adolescentes sofrem ainda mais dificuldade para obter a pílula. Embora diretrizes do Ministério da Saúde garantam o direito à privacidade e ao sigilo de suas informações, muitos postos exigem a presença de pais ou responsáveis para liberar o contraceptivo de emergência.
Levantamento feito em 2008 pelo Instituto da Saúde, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, revelou que mais de 50% de 119 municípios paulistas pesquisados restringiam a oferta da pílula para adolescentes. São os últimos dados disponíveis.
"É uma hipocrisia e um total contrassenso", diz a pesquisadora Regina Figueiredo, do Instituto da Saúde.
"Se a adolescente chega grávida, aos 15 anos, ela será atendida no posto porque ganha um status social de adulta. Se chega pedindo contraceptivo, não consegue", diz.
Embora a taxa de gravidez na adolescência tenha caído na última década, 23% dos partos feitos no país ainda são de jovens entre 15 e 19 anos. Estima-se que um quarto dos abortos provocados estejam nessa faixa etária.

DESIGUALDADE

Segundo Margareth Arrilha, diretora executiva da CCR (Comissão de Cidadania e Reprodução), a exigência da receita amplia as desigualdades no acesso e no uso do contraceptivo de emergência. "Só as mulheres pobres sofrem com isso."
"Não tem sentido manter a exigência. Estamos penalizando mulheres que são as mais vulneráveis a se submeterem a um aborto inseguro", afirma o ginecologista Nilson Roberto de Melo, diretor da Febrasgo (federação das associações de ginecologia).
O aborto provocado é hoje a terceira causa de mortalidade materna no país.
Em serviços que atendem a vítimas de violência sexual, a pílula do dia seguinte é oferecida desde 1999 e já reduziu pela metade a necessidade de aborto legal. Em postos de saúde, ela só começou a ser distribuída em 2005.
O obstetra Aníbal Faúndes, pesquisador da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), garante que a pílula não traz riscos à saúde da mulher. "Qualquer entrave vai contra o efeito esperado, que é prevenir gravidez indesejada", diz ele.
Segundo especialistas, o acesso à pílula de emergência é prejudicado por problema na distribuição do medicamento e pela falta de informação de funcionários e das próprias mulheres em relação aos seus direitos.
Texto de Claúdia Collucci

Governo diz que vai facilitar acesso à pílula

Ministério da Saúde deve criar grupo para discutir assunto; entre as propostas está a liberação de receita médica
Entrega poderá ser feita por enfermeiros; para conselhos de medicina, prescrição é função exclusiva do médico
O Ministério da Saúde pretende facilitar o acesso da pílula do dia seguinte no SUS. Amanhã deverá ser publicada uma portaria criando um grupo de trabalho para discutir o assunto. Entre as propostas está a liberação da exigência da receita médica.
Os enfermeiros entregariam o contraceptivo, mediante orientação -em algumas unidades, isso já acontece. Mas há resistência dos conselhos de medicina que consideram a prescrição uma função exclusiva do médico.
"Não basta o esforço do ministério de reconhecer o problema, fazer as compras da pílula do dia seguinte e ofertar na rede pública. Ela é fundamental em casos de falhas de outros métodos anticoncepcionais", afirma o secretário de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães.
Segundo ele, embora o Brasil tenha uma política muito restritiva para a distribuição de medicamentos no sistema público de saúde, nas farmácias privadas a venda "é mais liberada".
Magalhães diz que, no caso da pílula do dia seguinte, é "de uma incoerência enorme" todas atitudes que estão protelando o acesso das mulheres ao contraceptivo e tornado inútil sua utilização.
"Nós vamos facilitar no que for possível a oferta para quem procurar as unidades básicas, mas, como órgão normativo, temos que atender às exigências legais."
O secretário garante que há mais falta de informação (das mulheres e dos funcionários da rede de saúde) sobre a pílula do que escassez do produto. Em quatro anos, a oferta na rede pública passou de 455 mil cartelas (com dois comprimidos) para 770 mil, aumento de 69%. Nas farmácias privadas, são vendidas mais de 5 milhões de cartelas/ano.
Magalhães afirma que o ministério vai usar a estrutura do programa "Saúde na Escola" para ampliar a divulgação dos métodos anticoncepcionais entre os adolescentes. Ele reconhece a falta de campanhas educativas maciças sobre contracepção, mas diz que elas vão acontecer em breve. "Isso não tinha entrado na agenda política, mas é fundamental para prevenir gravidez indesejada."
Texto de Cláudia Collucci

Nos EUA, não há exigência de receita médica

Estados Unidos, Canadá e vários países europeus não exigem que a mulher apresente uma receita médica para conseguir a pílula do dia seguinte.
Em alguns Estados norte-americanos, porém, o contraceptivo não está disponível nas estantes, somente atrás do balcão.
"Isso significa que a mulher tem que 'negociar' com o farmacêutico de plantão a compra", explica a antropóloga Débora Diniz, consultora da OMS (Organização Mundial da Saúde) e vice-presidente da Coalização Internacional de Saúde da Mulher.
Mas em alguns países da América Latina a situação chega a ser pior que a encontrada no Brasil.
No Chile, por exemplo, a receita não só é exigida como fica retida na farmácia-como ocorre com os psicotrópicos.
Segundo Veronica Schiappacasse, coordenadora do Consórcio Latinoamericano de Anticoncepção de Emergência, nos outros países, a lei determina exigência da apresentação da receita.
Mas, na prática, as mulheres conseguem comprar a pílula sem ela. "Exceto no Chile", reforça.
Ela afirma que embora a maioria dos países tenham normas que regulam a distribuição do contraceptivo de emergência, muitos deles não as aplicam por falta de capacitação, por objeção de consciência ou ainda por falta de insumos.
"Globalmente, temos avançado na última década. Mas de forma muito lenta", diz Veronica.

Distribuição da pílula do dia seguinte é falha na Grande SP

A distribuição da pílula do dia seguinte é falha em postos de saúde da região metropolitana de São Paulo.
Na semana passada, a reportagem da Folha visitou seis UBSs (Unidades Básicas de Saúde) no ABC e encontrou entraves na retirada dos remédios em cinco delas.
Na UBS São João, em Mauá, não havia o medicamento. Funcionários informaram que, para obter uma receita, seria necessário agendar uma consulta com o ginecologista, com data disponível somente para o mês de maio.
Consultada, a prefeitura afirmou que todas as unidades têm o contraceptivo de emergência em estoques e que irá apurar o que houve.
Em Santo André, a pílula estava disponível na UBS da Vila Humaitá, mas, no horário em que a reportagem esteve na unidade, não havia médico para prescrevê-la.
Seria necessário agendar consulta com o ginecologista (também só em maio).
A Prefeitura de Santo André informou que foi um episódio isolado, pois naquele dia o ginecologista que atende no período foi convocado para uma audiência pública.
Em São Bernardo do Campo, uma funcionária da UBS do Demarchi disse que não tinha o medicamento.
Segundo a prefeitura, todas as unidades têm o contraceptivo de emergência em estoque e, provavelmente, o remédio não foi entregue por falta de receita.
Em dois postos de São Caetano do Sul a orientação foi procurar uma unidade especializada em saúde da mulher, pois somente lá é que a pílula era distribuída.
No centro de referência, o medicamento foi obtido sem dificuldade. A prefeitura confirmou que a distribuição é feita somente naquela unidade e que, em caso de adolescentes, é necessário o consentimento assinado dos pais.
Texto de Viviane Vechi
Da Folha de São Paulo de 11/03/2012

Longe do dia seguinte

Enquanto se finge discutir a questão do aborto no país, alternativas anticoncepcionais simples, baratas e menos traumáticas são cotidianamente subutilizadas. É o caso da pílula do dia seguinte.
Foi o que mostrou reportagem desta Folha no domingo. De acordo com uma política iniciada há quase dez anos, o medicamento seria, em tese, distribuído gratuitamente à população. Na prática, as dificuldades se multiplicam e assumem aspectos quase surreais.
Como é necessário apresentar receita médica para receber o contraceptivo, as pacientes do sistema público precisam marcar consulta com um ginecologista, o qual, em certos postos de saúde, só tem horário disponível para dali a dois meses. Como o próprio nome sugere, a pílula deve ser tomada logo após o ato sexual para ter eficácia (prazo máximo de 72 horas).
Ainda mais absurda é a praxe, comum em alguns postos de atendimento, de exigir a presença de pais ou responsáveis quando a paciente é menor de idade. Evidentemente, muitas adolescentes grávidas prefeririam o sigilo.
Faltam medicamentos, como constatou a reportagem, em postos municipais da Grande São Paulo. Faltam médicos que os prescrevam. Faltam informações sobre seu uso.
O resultado, especialmente entre os pobres (a pílula pode ser adquirida sem problemas nas farmácias particulares), é o agravamento de um problema de saúde pública, hoje apontado como quinto maior fator de mortalidade materna no país: o dos abortos clandestinos.
Para o cúmulo da hipocrisia, é comum ver candidatos a cargos eletivos tentando tirar votos de adversários com a sugestão de que são "a favor do aborto" por defender medidas como a pílula do dia seguinte. A resposta dos acusados, no temor de desagradar a conservadores organizados, é em geral vaga.
Ocorre que, do ponto de vista de algumas religiões -que cumpre respeitar individualmente, mas que não deve servir de base para políticas públicas-, a pílula do dia seguinte é tão condenável quanto o aborto. Autoridades de saúde tiveram o bom-senso, contudo, de admitir esse recurso na rede oficial.
O que grupos contrários ao aborto não conseguiram impor, entretanto, conseguem os adversários habituais de um serviço de saúde de qualidade: a burocracia, a falta de recursos e a indiferença pelas necessidades da população.
Editorial da Folha de São Paulo de 13/03/2012

domingo, 4 de março de 2012

Sarah Santos

Beleza revelada


O tradicional Concurso Rainha do Café do Estado de Minas Gerais ocorre todo ano em uma eleita cidade do estado. Este concurso tem fins sociais e é coordenado por Domingos Anastácio Neto, que ao longo dos anos tem desempenhado um lindo trabalho a favor da população mineira, elegendo todo ano a mais bela mineira para o reinado de Rainha do Café do Estado de Minas Gerais.

Este ano o Concurso Rainha do Café será realizado na cidade de Tombos, famosa por suas cachoeiras, carnaval e outros atrativos, no mês dejunho, e espera receber lindas candidatas de várias cidades do estado.

Para este evento, a cidade de Chalé conta com uma representante de peso, uma verdadeira amostra da beleza da mulher mineira. A bela morena Sarah Santos, 22 anos, doalto de seus 1,80m de altura, olhos verdes, e corpo escultural, promete causar frisson com sua participação no concurso. Descoberta pelo fotografo TiagoCarvalho, Sarah Santos reúne quesitos essenciais, beleza e simpatia em doses abundantes. 


Moradora da cidade de Chalé, que tem aproximadamente 6.000 habitantes, Sarah vê o Concurso como uma possibilidade para ajudar quem mais precisa e para divulgar as riquezas de sua cidade, uma das quais será representada no desfile de Traje Típico. Ela vive com sua mãe ecursa faculdade de Letras na cidade de Manhuaçu. A bela morena já é destaque nas redes sociais e pela primeira vez irá participar de um concurso de beleza.

Sarah Santos, mineira da cidade de Chalé, não levará apenas lindos trajes e maquiagens para o concurso, acima de tudo, desembarcará em Tombos com a imensa satisfação de carregar o brasão da pequena cidade do leste mineiro que ela tanto ama e contará com o apoio e a torcida de seus amigos e conterrâneos.

De Tiago Carvalho Costa

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cactos

Exauriu-se a dor
A flor do amor surgiu
Na ilusão do meu dia
Feroz qual a paixão.

Andar andei... Chorar chorei...
A marca do tempo agora mostra
Caminhos que sonhei.

Uma saudade, uma paixão
Talvez a primeira vivida
Ficou longe, muito longe,
Mas entranhada está em minha vida.

Canto apenas a flor dos cactos
Porque o as outras o vento levou
Por estes cantos também sou levado
E amado por seu amor...

De R J Cardoso

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Rua onde moro, a pacificação

A Rua onde moro II

A rua onde moro continua barulhenta,
Tem moradias de todos os estilos,
Olham-me, mas a dor amenizou-se.
Pontos escuros e infames diminuíram
Já não voam tão temerosos os papeis,
Os estampidos cessaram, até quando não sei...

Aos poucos os gatos vão reaparecendo
Os cães retornam, mas não ladram.
Arvore gradualmente vai se plantando
A rua onde moro já não é mais tão aterrorizante.

Nos templos já se pode ver alguém orando,
Já não há sombra a nos surpreender como antes.
Algumas luzes já se podem ver acesas
O filho continua o mesmo, em nada mudou.

Nas casas já há um tímido clarão
Os pecadores continuam, mas não há mais heróis.
Os meninos são os mesmos e tem meninas gestantes.

Já não há tanta fuga em prol da vida
Nem tantos arrependimentos,
Provocações são raras, traçantes às vezes...
No lugar da ruina ergue-se de tijolo em tijolo nova cidade.

Indefere-se apenas o que é fora da lei
A rua foi apaziguada pela as Unidades Pacificadoras,
Apesar de distantes, e a tristeza noturna deu um tempo.

Já não há tanta aflição na rua onde vivo
Os sons são agradáveis, do meu quarto a paisagem
Continua inspirando amor, não precisa fugir...
O zumbido das armas acalmou... Até quando?
É possível projetar o futuro e continuar amando.

De R J Cardoso

Nota do editor
A poesia acima foi feita sob encomenda por mim, que estava com saudades das poesias e da colaboração do R J Cardoso.
O R J Cardoso havia feito uma "poesia lamento"  sobre a situação de violência que vivia o povo fluminense e agora eu queria ler as palavras dele sobre a nova situação destas mesmas pessoas, após a pacificação 
 realizada. mais que tardiamente.

Relembre a poesia original:  
A rua onde moro 
http://jornaldesericita.blogspot.com/2010/02/rua-onde-moro.html


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Pesquisa investiga por que mulheres preferem cesárea


Para especialistas, fatores culturais somados à falta de leitos nas rede pública e privada afastam mulher do parto normal
Medo de sentir muita dor e preocupação com sexualidade também aumentam preferência por cesáreas

Marisa Cauduro/Folhapress
A bióloga Hana Masuda, 34, com a filha Alice, um mês após o nascimento por parto normal
A bióloga Hana Masuda, 34, com a filha Alice, um mês após o nascimento por parto normal
SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

Fatores culturais e falta de informação são alguns dos motivos que levam à preferência nacional pelo parto com data marcada.
Hoje, o Brasil é um dos recordistas mundiais em partos cesarianos. Em 2010, o número de nascimentos cirúrgicos chegou a 52%, passando os partos normais.
A preocupação com a quantidade de cirurgias no nascimento é tanta que o Ministério da Saúde vai fazer uma pesquisa com 24 mil mulheres para entender o que leva à escolha da cirurgia com data marcada para dar à luz.
O trabalho vai verificar qual é a indicação médica e os motivos que levaram a mulher a escolher um determinado tipo de parto -normal, cesárea ou até em casa.
A hipótese é que fatores culturais contem muito nesse tipo de decisão.
"A mulher brasileira se preocupa com a sexualidade e teme que o parto altere o períneo, o que é é um mito", diz Vera Fonseca, diretora da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e do Conselho Federal de Medicina.
MEDO DA DOR
O medo da dor também afasta a mulher do parto normal. "Temos uma imagem de parto normal como se vê no cinema, com dor e sofrimento. Isso afasta as mulheres da opção natural", analisa a historiadora da ciência Germana Barata, da Unicamp.
De acordo com a ginecologista da USP, Sonia Penteado, alguma mulheres que tentam enfrentar a dor do parto não aguentam.
"Já tive pacientes que chegaram a ter dilatação completa no parto, mas não toleraram a dor e pediram para que fosse feita a cesárea", conta.
Esse tipo de intervenção é possível no sistema privado. "No público, a mulher tem de aguentar a dor porque faltam cirurgiões", diz Penteado.
A proporção de quantidade de cesáreas no SUS gira em torno de 37% dos nascimentos. Na rede privada, o percentual sobe para 82%.
DECISÃO DO MÉDICO
Mas, além da cultura, a opinião dos médicos também conta -e muito- na decisão.
"Nunca chegou uma paciente no meu consultório dizendo 'quero cesárea e pronto'", diz Penteado.
Segundo ela, a maioria das mulheres decide com seu médico o tipo de parto.
Ela recomenda parto normal a suas pacientes desde que não existam fatores de risco, como hipertensão. Hoje, a doença é a principal causa de morte de mulheres no parto no Brasil (na Europa e nos EUA é a hemorragia).
Para Fonseca, muitos médicos incentivam a cesárea por receio de falta de leitos, inclusive na rede privada.
O Brasil tem 0,28 leito para cada mil usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) -o que, de acordo com o Ministério de Saúde, atende a demanda. Mas países desenvolvidos têm o dobro disso.
"Se a paciente entra em trabalho de parto de maneira inesperada, corre risco de não ter vaga. Isso dá insegurança para o médico."
"Fiquei exausta, mas valeu a pena; foi emocionante"
Além da dificuldade para encontrar um médico disposto a fazer parto normal, as brasileiras que decidem pelo nascimento natural enfrentam outra barreira: encontrar orientações adequadas para a hora de dar à luz.
"Procurei algum lugar que preparasse grávidas para o parto normal em São Paulo, mas não encontrei", conta a bióloga Hana Masuda.
Ela deu à luz sua filha Alice há cerca de um mês. "Nasci nos EUA quando minha mãe fazia pós-doutorado. Lá, ela fez um curso na universidade sobre parto normal. Aqui não achei nada disso."
Mesmo assim, o parto de Masuda foi tranquilo. "Senti dores como de cólicas menstruais, só que mais fortes."
A psicóloga Natália Amaral Hildebrand não teve a mesma sorte. Depois de cerca de dez horas de trabalho de parto com dores fortes, ela teve de fazer cesárea.
"Tive um edema [lesão] no colo do útero porque a bebê tinha a cabeça muito grande e não passava", conta.
"Pelo menos eu tentei e a Sofia nasceu no tempo dela."
De acordo com Hildbrand, o médico dela orientou o parto normal. "Já ouvi muitas grávidas dizerem que o médico escolhe pela paciente."
A advogada Julia Rodrigues Coimbra também optou pelo parto natural para dar à luz Francisco. Ela começou a sentir contrações em um sábado e entrou em trabalho de parto na quinta-feira. "Já estava exausta. Mas valeu a pena, foi emocionante."
(SR)Reportagem da Folha de São Paulo de 19/02/2012

Meu depoimento:
Boa parte das mães são convencidas por médicos que não querem "estragar" o "Final de Semana" ou a madrugada atendendo mães cujos bebês chegam em horas impróprias.
Estive em um hospital maternidade, acompanhando um período de internação de uma pessoa da família, curioso em ver os bebês recém-nascidos que são muito lindos, fui até o andar do berçário e não havia nenhum bebê, só então me dei conta que era DOMINGO e que a cegonha também merece descansar no "Final de Semana", acredito que a cegonha deveria estar curtindo um churrasco no sítio, golfe ou piscina no clube e por que não se torrando na praia, afinal de contas "cegonha" também é gente.

Fui conferir na Segunda, Terça e Quarta e "bingo" o berçário estava lotado destas criaturinhas lindas, os bebês.

Carnavais

A autêntica, pura e legítima expressão "Carnaval carioca" não tem mais sentido; o desfile das escolas de samba não é Carnaval, simplesmente


GRANDE E duradouro sucesso de público e de crítica, a expressão "Carnaval carioca" passou um período sumida, de raro em raro alguém a visitava no asilo da história. De uns tempos para cá, voltou ao cardápio dos assuntos frequentes, e é cada vez mais usada. Mas posso garantir, e o faço com palavra da moda para não deixar dúvida: a expressão que está aí é um clone. Preferiria dizer, por natural rejeição a modas, ainda mais se vocabulares, que é uma contrafação. Posso até admitir, no entanto, em benefício da compreensão, que é cópia pirata. E não paraguaia, não.

A autêntica, a pura e legítima expressão "Carnaval carioca" não tem mais sentido. Não o perdeu no de desuso, não, muito ao contrário. Ali, entre as velharias do asilo, a maioria deformada por falta de rigor histórico ou excesso  de fraude interesseira, "Carnaval carioca" foi sempre o repositório zeloso de originalidades encantadoras. Guardiã de tanta criação que nasceu para ser popular e se elevou a clássico, guardiã de uma criatividade livre e libertária, espontânea e feliz.

A reanimação, recente e crescente, dos dias reservados a Carnaval tem no Rio, como centro de tudo que então se passa, o desfile das escolas de samba: "a maior festa do mundo", dizem, pelo planeta afora, um de seus slogans no comércio internacional de turismo e os meios de comunicação lá e cá. Festa de quem ou para quem? Carnaval é, por definição, festa popular, o povo em festa.

No sambódromo, pesadão, um maciço de concreto, feio e óbvio, "povo" exige nova definição. No mês passado, por mais de uma vez a imprensa do Rio noticiou a procura de negros por algumas escolas de samba para participar dos seus desfiles. Isso, na pista.

Na assistência, o preço das arquibancadas e a reserva para os pacotes turísticos sugerem onde foi parar o povo mesmo. Aliás, o afastamento intransponível do "povo" em relação ao que se passa na pista, tal como se assistisse a um balé no Municipal, e os numerosos e vastos salões chamados de camarotes já diriam o suficiente sobre a relação do sambódromo com festa  popular.

O desfile das escolas de samba deve ser posto à parte do Carnaval. Não é Carnaval, simplesmente. Pode ser o mesmo em qualquer dia do ano, sem necessidade de qualquer coisa nele ou fora. Seria até mais um evento turístico. Escola, como se denominaram as agremiações de samba mais populares, não há ali. Samba, idem.

O objetivo de desfilar e seus diferentes canais de dinheiro apropriaram-se das agremiações ("escolas" porque o mero dançar ali ensinava o samba no pé, como as artes da bateria).

Repórter iniciante no "Diário Carioca", fui muito, com um colega já grande repórter, Mário Ribeiro, à Império Serrano. O belo nome desse Grêmio Recreativo Escola de Samba me fascinou, e quis conhecer sua razão de ser. Ficava em um recanto do subúrbio de Madureira, quase ao final da escadaria impiedosa que escarpava uma colina, também graciosa no nome, chamada Serrinha. Preliminares atraentes demais.

E a hospitalidade franca, a bateria diabólica, e sobretudo as músicas (muitas, grandes sucessos dez e mais anos depois, com Nara, Clara Nunes, Beth Carvalho, mais e mais) faziam o resto, naquele galpão improvisado para a alegria semanal de poucas dezenas de pessoas.

Assim e ali, fizeram-se os títulos conquistados pela Império na avenida Rio Branco e depois na Presidente Vargas, com o povaréu se somando aos figurantes vestidos de barões e marquesas que, por mais uma distração da obra divina, tivessem o samba no pé e a alma do povo. Carnaval Carioca.
Do Vassourinhas, de tempos que não conheci, ao Bafo da Onça, de meado do  século passado, e ao antigo Cordão do Bola Preta, blocos incontáveis fundiram-se à história do Carnaval carioca. Tinham umas quantas centenas de componentes, às vezes uns poucos milhares.

Mas sua fama nunca intimidou ninguém. Era comum ruas, empresas, clubes terem seus próprios blocos, nos quais iam entrando e saindo aderentes eventuais. E dando sentido às ruas, em todos os bairros, a cidade toda eram um só Carnaval. Seu e à sua maneira.

As estimativas dos blocos atuais dão-lhes 300 mil integrantes, 500 mil, 1 milhão e até 2,5 milhões no Bola Preta. Quando ouço estes números, penso nos 200 mil que superlotaram o Maracanã, uma multidão tão espantosa que, mesmo tendo-a visto de dentro, dela só se pode lembrar vagamente. Pois, lê-se e ouve-se, ficou fácil haver blocos com vários Maracanãs superlotados. O Bola Preta viria, nos 2,5 milhões, com mais de 12 Maracanãs, apesar de inexistir onde os por a desfilar. Ou como desfilar.

Divida-se cada uma de tais cifras pelo número que se quiser, os meios de comunicação não se importam. Nem importa mesmo: esses blocos não são blocos cariocas. Com os seus milhões ou trilhões, as pessoas apenas se apertam e, como velhinhos de últimos cansaços, arrastam os pés. Na forma, tais blocos são uma importação mal adaptada do Carnaval de Recife. Nada a ver com o Carnaval carioca.

E agora começou no Rio o Carnaval à maneira de Salvador, em que cantores têm camarotes e palanques de onde conduzem o Carnaval, uma espécie de show aberto. Nada a ver com o Carnaval carioca.

Nesse quesito das marchas, não se pode esquecer a força do grotesco: o que  seria o samba do desfile das escolas de samba é um ritmo inidentificável, horrendo, com as "celebridades" e as modelos (seja lá do que forem, mas a variedade não é grande) arrastando os pés e, diante de alguma câmera, dando uns pulinhos como se o chão estivesse pelando -é o seu samba no pé.
E aos lados da correnteza, atrás, por toda parte, uns sujeitos gritando "corre!", "acelera!", "corre mais!", "correeendo! mais depreeessa!".

Com o tempo e com outras mudanças, haveria de mudar. Mas não desse jeito. Não precisava, ao menos, deixar de ser o Carnaval carioca.

De Jânio de Freitas na Folha de São Paulo de 19/02/2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

GREVE NO HOSPITAL DE SÃO PEDRO DOS FERROS

Atraso de pagamento de salários paralisa hospital de São Pedro dos Ferros






Comentário de José Geraldo da Silva

Uma das grevistas me informou que existem funcionários com 5 (cinco) férias atrasadas, 3(três) 13º salarios atrasados e 2(dois) salários mensais atrasados.

Não entendo nada de repasses de verbas federais e estaduais para que os municípios cuidem da saúde de seu povo, mas eu pergunto uma pergunta que não quer calar:
- por que a prefeitura gasta verba milionária com artistas de outras terras em festas?
- por que a prefeitura gasta verba milionária com a festa do "ferrense ausente"?
- será que o ferrense ausente é aquele foi visitar "São Pedro" mais cedo do que deveria?
- ou seja, ferrense ausente é o ferrense que se "ferrou" e foi pro inferno ou pro céu antes do tempo?


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A primeira parte do texto foi copiado do Jornal Regional
http://www.raulsoaresonline.blogspot.com/2012/02/atraso-de-pagamento-de-salarios.html

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O PT tucanou a privataria

O PT tucanou a privataria

Categoria: Politicalha
Já tem mais de 15 anos que o Brasil não consegue superar o tema (ou seria trauma?) das privatizações. Por todo esse tempo, petistas pintaram as privatizações como o grande mal desse país, enquanto tucanos as praticaram, lucraram com elas e depois se envergonharam delas. Em meio a tantos discursos, faltou a verdade: a privatização não é solução definitiva para nada, nem tampouco é o mal absoluto. Em alguns casos ela serve, porque presta serviços importantes à população (se forem bem fiscalizados e regulados pelo estado), como no setor de telecom e nos aeroportos. Em outros casos, não servem, porque são setores estratégicos, como foi o fatídico caso da Vale do Rio Doce. E tem os três setores em que a privatização não pode nem ser levada em consideração: saúde, educação e segurança. O real problema da questão é a formacomo as privatizações foram feitas por aqui, com empresários agindo em conluio com autoridades do governo, mediante farta distribuição de propinas.
Antes, o argumento anti-privatização dos petistas era de que “não se pode entregar um bem público ao capital estrangeiro”. Agora, adequaram o discurso tentando mostrar que as suas privatizações são melhores do que a dos tucanos. Acontece que, bom ou ruim, esse modelo adotado pelo governo petista nos aeroportos é o mesmo adotado pelos tucanos nas estradas do estado de São Paulo, o que elevou enormemente os preços dos pedágios. E, querendo ou não, o governo está abraçando a iniciativa privada — seja via concessões, PPPs (parcerias público-privadas) ou o leilão com participação do BNDES e dos fundos de pensão. A concessão dos aeroportos aconteceu porque há um gargalo terrível no setor e o governo sabe que não conseguirá expandi-lo e modernizá-lo sozinho até a copa.
Enfim, com tudo isso, esperamos que 1) essa privatização dos aeroportos traga os benefícios desejados pela população; 2) que se encerre de uma vez por todas essa briga tola dos militantes anti e pró privatizações; e 3) que no futuro não apareçam  novas denúncias em forma de livro, tipo um A Privataria Petista

Jornal da Tarde 9 de fevereiro de 2012http://blogs.estadao.com.br/tragico-e-comico/2012/02/09/o-pt-tucanou-a-privataria/