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quarta-feira, 1 de maio de 2013

MESA VAZIA


Mesmo com a tecnologia a morosidade ainda impera no poder público, a tão desnecessária burocracia prevalece visando garantir autores de ações que precisam ser provadas junto aos órgãos dos quais são subordinados. Criou-se a assinatura digital, instrumento muitíssimo eficiente que substitui assinatura em papeis, o problema me parece estar no individuo não familiarizado com a tecnologia e neste aspecto povo ainda engatinha,  cuja deficiência está presente nas três esferas do poder.
A tramitação de um documento de um órgão para o outro leva um tempo absurdo e continua como na época em que não havia estradas, onde uma correspondência levava semanas para chegar ao seu destinatário.
É possível, o indivíduo familiarizado com a tecnologia, resolver problemas sem se quer  utilizar uma folha de papel, discutir assuntos de grande relevância sem as grandes reuniões,  grande almoço ou jantar; o problema está na burocracia interna de cada setor da sociedade.
Todo e qualquer ato pode vir com assinatura digital, que por natureza dispensa reconhecimento de firma em cartório e para isto precisa-se apenas que o povo tenha conhecimento e instrumentos a sua disposição.

De Raimundo João Cardoso

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Construção


Cidades, de ruas e casas de alvenaria iguais,
Perfeita conservação;
Povo de fé e de todas as religiões
Raças e tradições;
Feliz, sem de sua cultura abrir mão.

Meio-ambiente autossustentável
Flores em toda sua dimensão
Quintais
repletos de pássaros
A cantar em perfeita união.

Sem valas e valões a céu abertos
Assistência do poder público
Com suporte bem de perto
Oferecendo-nos o anfiteatro e o pão.

Vida, arte, trabalho e imaginação.
Morros sem alerta, favelas urbanizadas,
Providas de beleza
Para que eu possa, em sossego, caminhar
Com os pés no chão.


R J Cardoso

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Calmaria


De R J Cardoso
Venho da suavidade da canção
Do amor entre meus pais, talvez
Unidos pela paixão; sei não,
Mas que apaixonado por ti me fez.

Nasci entre o sol e a lua, aonde
Não havia luz nem escuridão.
No limiar da vida nada sabia
Era um pássaro na tua imensidão.

O verde e esturricado tinham
O mesmo sentido, o que diferenciava
No olhar era a poeira da aluvião.

Do vento me fiz açoite para aliviar
Minha própria dor, extrapolei
Hoje contigo divido tristeza e alegria
E tudo de bom que vem deste amor.

O R J Cardoso dedica este poema ao Rio de Janeiro

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Mandato




 
         Nas eleições municipais formam-se bolsões nos bairros e comunidades carentes, momento em que os candidatos chegam pessoalmente ou mandam seus cabos eleitorais com intuito de angariar votos ali existentes. Fazem promessas, estendem faixas e distribuem santinhos fartamente, fazendo o eleitor acreditar em promessas, na maioria, falsas.
 
         Muitas vezes, os próprios cabos eleitorais são também enganados, apesar da proximidade com o candidato no momento. Engaja-se e procura estar presente em quase todos os eventos promovidos pelos partidos, crente de que as reivindicações do seu bairro ou da sua comunidade serão atendidas, - esses cabos eleitorais dão o sangue e o suor, carregam faixas, andam em carros caindo os pedaços, tudo por um ideal – o que nunca se concretiza.
          Os parlamentares eleitos num determinado município precisão dar mais atenção a lideranças comunitárias, sem exceção, ouvindo-as sempre que forem procurados e deixarem seus gabinetes, pelo menos dois dias por semana, para visitá-las, pois são muitos os problemas que dependem do município para serem solucionados. E o vereador tem de se transformar num instrumento dessas comunidades.

R J Cardoso

domingo, 9 de dezembro de 2012

As flores, os amores incontestes de Sericita

Quando abro este “Jornal” me sinto com se em Sericita estivesse e meu coração padece de tanta saudade. Camninho pelas ruas pacatas e tranqüilas, entro e saio dos bares ou vendas, vou à praça e no banco de concreto me sento; vejo o verde das árvores colorindo meu pensamento.
Ah, na igreja de Santa Rita vejo a multidão entrar e sair, pessoas taciturnas, outras felizes da vida trazendo na face máscaras campestres, aluvião colada nos sapatos, cheiro da relva, fragrância por mim preferida, o rio Santana sob a ponte descendo rumo ao norte, agonizante e perto da morte. E ainda velhos sendo trucidados como se nenhuma importância tivessem, famílias inteiras morrendo por conta da pressa. Ô Deus, dê-me mais informação de Sericita, pois tudo ali me interessa.
A beleza das flores, os amores incontestes, a música mais linda cantada nas serestas, a vida como ela é, os dias de festa, o coreto na praça, a criança cheia de graça brincando, correndo pra lá e pra cá. E se a chuva fina cair avise-me saio de casa e vou nela dançar.
A bonança estampada nas aves de rapina, o campo de futebol gramado, o cemitério bem cuidado... Periferia sem asfalto e sem calçada, casas bem protegidas, pois Sericita é o lugar onde se pode viver e sonhar.

De R J Cardoso em Jornal de Sericita

Texto originalmente publicado em 01/05/2010

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Anistia


Criou-se faz alguns anos no Ministério da Justiça a Comissão de Paz, Anistia aos políticos perseguidos e cassados durante a ditadura militar. Formaram-se filas solicitando o tão sondado benefício, mas, ao que me parece, apenas alguns privilegiados (figuras de destaque no cenário da vida nacional) o conseguiram.
Naqueles anos negros tivemos não somente políticos perseguidos e cassados pelo regime de exceção, mas ainda Soldados, Cabos e Sargentos banidos das Forças Amadas colocados para fora do Exercito, da Marinha e Aeronáutica sem direito sequer de manifestar suas defesas.
Esses militares, que desde a criação da Comissão de Paz, solicitaram anistia visando reparação econômica de suas perdas profissionais, continuam no esquecimento com seus respectivos processos tramitando de uma sala para outra dentro do próprio Ministério sem ver na pratica seus objetivos alcançados. Foram anistiados para exercerem apenas direitos políticos, ou seja: poder falar e ouvir? E as reparações econômicas nada? Vivendo-os, na maioria dos casos, em situação lastimável, verdadeiramente penosa, cuja idade não os permite mais um emprego digno porque estão no final de suas vidas.
As indenizações e soldos milionários publicados no Diário Oficial da União, a partir do ano de 2005, até que menores aliviariam e muito a penúrias desses velhos trabalhadores que ajudaram a construir este país. E não seria demais se mandassem pagar o que foi concedido na íntegra. O que não é justo é deixá-los esperando até a morte sem ver suas expectativas concretizadas.
O Ministério da Justiça, até que prove o contrário, é independente para tomar suas decisões, precisa resolver essa pendenga para que o Brasil seja um país verdadeiramente democrático. Enfim, a coisa depende muito mais de vontade política do Planalto do que propriamente do Ministério da Justiça, onde se encontra instalada a Comissão de Justiça e Paz para cuidar do assunto.

De R J Cardoso

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Excelência Candidato

Candidato a cargo eletivo precisa aprender fazer política sem falar mal de alguém que administrou algo. Precisa-se de ética e colocar apenas propostas para serem discutidas pela sociedade organizada e a grande massa de trabalhadores. Assim todos saberão escolher, não apenas o candidato, e sim o que ele propõe aos seus eleitores e ao povo de um modo mais geral.
É muito fácil falar mal de alguém, difícil é mapear as cidades, saber quais os problemas que precisam ser atacados, dizer ao povo como resolvê-los, na prática.
Na atual campanha eleitoral os candidatos apontados pelas pesquisas com menos chance de se elegerem é que atacam os que aparecem em condições de chegar à frente nessa mesma pesquisa e até disputarem um segundo turno. A maioria destes candidatos é detentor de mandatos ou por ele passou trazendo algo de bom ao seu eleitorado e à população em geral ou talvez trabalhe apenas em cima de suas propostas sem atacar seus adversários.
Sabe-se que muitos desses candidatos não têm chance, estão apenas marcando posição para futuros pleitos, porém, seria razoável se detivessem apenas em cima de suas propostas de governo, na Câmara de Vereadores ou Prefeituras Municipais, até porque a Lei da Ficha Limpa entrou em vigor nesta eleição, onde nenhum candidato com macula do passado de pleito eletivo poderá participar. Então seria interessante e ético que todos falassem apenas de suas propostas; os que têm tempo na telinha, claro, porque os pobres candidatos a vereadores na televisão sequer podem dizer seus nomes e números aos eleitores.

De R J Cardoso

domingo, 2 de setembro de 2012

Testemunho do passado

Vale a pena republicar

Testemunho


Eu era menino, mas me lembro com se fosse hoje o dia em que Sericita se emancipou, deixando de ser Município de Abre Campo. Houve uma festança com a presença de autoridades diversas, inclusive da igreja, palanque com orquestra na praça e bispos crismando as crianças, enfim, foi bonito demais.
Porém à noite a festa não pode continuar, não havia luz elétrica, apenas lamparinas e lampiões a querosene, na esquina da praça principal a venda de João Arante era a mais notada por possuir melhor luminosidade e o atendimento de primeira.
Na rua que dava acesso a estrada em direção a Bocaina, Raiz e Ponte Coberta, idealizada por José Ângelo, ficavam os cavalos, meio de transporte da maioria dos fazendeiros na época, dava prazer estar em contato com tanta natureza.
Com o passar do tempo, a rua principal que era de terra foi calçada com paralelepípedos e as casas ganharam o reforço das calçadas. Surgiu, em alguns estabelecimentos a luz elétrica, cujas lâmpadas clareavam timidamente o ambiente porque a potência dos motores da usina não era suficiente para uma iluminação de verdade, tanto é que se todos acendesse as lâmpadas ao mesmo tempo a cidade virava um breu.
Tempos depois José Gomes, proprietário de um engenho a beira da estrada de acesso a Abre Campo, deu um grande impulso construindo uma usina com equipamentos elétricos mais potentes, ai sim, a cidade de Sericita passou a gozar de uma iluminação mais ou menos adequada as suas necessidades.
Nos anos de 1960, começou-se a construção da igreja cuja obra terminou ao apagar daquela década.
Infelizmente, o povo não podia eleger seu prefeito, era por um colegiado escolhido, não se podia fazer política, uma vez que o regime era de exceção – Ditadura Militar – que torturava e matava quem ao regime fizesse oposição. Mas as duras penas as coisas caminhavam; além da igreja foi construída a escola Clélia Bernardes, uma lutadora pela educação da população local.
Devagar, como meio de transporte além dos cavalos, vieram às bicicletas e o jipe com tração nas quatro rodas capaz de vencer os lamaçais das estradas esburacadas, os mais aventureiros, arriscavam cortá-las com uma rural e na maioria das vezes ficavam preso nos atoleiros, enfim, a vida era muito difícil; o escoamento da produção dependia das condições do tempo, porque quando chovia o trafego pesado não podia circular.
E por falar em transportes pesados, cabe ressaltar as grandes carretas de carvão mineral que cortavam Sericita com destino a Siderúrgica Usiminas situada em João Momlevade, bárbaro crime ecológico praticado com a devastação em Arapongas e mediações, carentes até hoje, me parece, de reparações pelo Estado brasileiro.
Ainda sobre as condições da estrada que liga Sericita a Abre Campo, pode-se dizer que a coisa mudou da água para vinho, mesmo levando em consideração a má qualidade do asfalto aplicado, segundo os entendidos no assunto.
Se isto de fato aconteceu é preciso reparos, mas nada tira o mérito dos políticos da região que lutaram por essa obra, restando-nos apenas dar-lhes os parabéns pela iniciativa, pois isto não foi a mais tempo realizado por falta de vontade política dos governantes do passado.

Obs: Sericita, cidade da zona da mata de MG, terrinha natal desse poeta

De R J Cardoso

Publicado inicialmente em 30/09/2009
.
http://jornaldesericita.blogspot.com.br/2009/06/testemunho-do-passado.html

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As ouvidorias

As Ouvidorias, sejam nas empresas privadas ou públicas, se tornaram um instrumento questionável do ponto de vista da informação.
Geralmente, ao telefone, o atendente tenta se livrar das pessoas que buscam solução para determinado problema, tentando ele mesmo resolver o assunto dando informação fictícia, ao invés de pedir ao solicitante um tempo para checar e informar corretamente a situação do que na verdade se busca, esquecendo que ele, o atendente, que foi ali colocado para ouvir, encaminhar e não para resolver.
Tal problema ocorre muito quando o que solicitante quer não interessa a empresa - o que não ocorre nas instituições financeiras em geral, principalmente nos Bancos, porque nelas na maioria das vezes os interesses são mútuos.
 Nas demais empresas é um absurdo, as informações muitas vezes fictícias são dadas na hora principalmente se há algum questionamento contrario a instituição. Nos órgãos públicos a coisa chega ser alarmante, onde os atendentes são muito agradáveis, mas dão informações sem ter o mínimo conhecimento do assunto.
Quando por e-mail a situação muda um pouco, mas não o suficiente: a resposta quase sempre tem o mesmo padrão: “informando que consultamos o setor competente e este estabeleceu prazo tal para resolução do problema”. Só que inspira o prazo e o caso não é resolvido e isto ocorre em quase todos os setores da sociedade. Então o que fazer diante das Ouvidorias que nos enchem de esperança e no final nos deixam frutados.

De R J Cardoso 

sábado, 24 de março de 2012

FINA ESTAMPA

A Novela Fina Estampa chegou ao fim, cujos atores principais marcaram época, assim como Eva Vilma, Cristiane Torloni e Lilia Cabral. Essa última a quem eu conheci pessoalmente quando se elegeu, na década de 1980, e cumpriu com dignidade e presteza o mandato de vereadora na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Não se reelegeu para mais um mandato cujos motivos eu desconheço, imagino ter sido decisão pessoal voltada ao profissionalismo ao qual foi, é, e sempre será muitíssima competente.

Fora aquela década marcada pela transição democrática, quando os partidos políticos e o movimento sindical estavam em ascensão procurando encontrar um rumo para o Brasil, as reinvindicações trabalhistas eclodiam no país inteiro, a Cinelândia, no Rio de Janeiro e o Vale do Anhangabaú, em São Paulo eram os palcos principais dos grandes eventos em busca “Das Diretas Já”, a batalha foi árdua e depois de algum tempo conseguiram-se eleições diretas para todos os cargos no executivo nacional e naquele momento tanto o saudoso Francisco Milani bem como Lilia Cabral se tornaram pessoas importantes no referido processo. Quero dizer que não são só excelentes atores, mas também fantásticos na vida política nacional. Lilia é sem duvida liderança indiscutível.

O Autor de Fina Estampa foi muito feliz quando deu ao seu personagem o discurso de fechamento da novela, ali eu pude ver Lilia revitalizada no tempo com seu discurso simples, mas cheio de conteúdo quando diz: “... Estudem! O saber é uma benção, sejam honestos...”.
Obrigado, Aguinaldo Silva!

De R J Cardoso

segunda-feira, 19 de março de 2012

Incursão

Cantares no ar ecoa enquanto
Eu fico a escutar a toa tua voz no espaço.
E no calmo envelhecer estardalhaço
Duma paixão a chamar teu nome.

Nos copados dos arvoredos o medo
É o codinome a vagar na imensidão
Da cidade ainda escura
Que não apura com detalhes os males impostos
A população.

E num triste olhar esse cantar
Esvaecesse sem a compaixão
Dos que a vida deveria procrastinar
Protegendo corpo, alma e coração.

Olhar não profundo, mas que deveria
Ladear o mundo
Em forma de utopia mostrando
Cada dia a importância do não sofrer.

Amor preste a morrer na tentativa
De amar e mal amar a imagem
Dos seres que em desespero vagam
Recorrentes à ilusão da própria vida...

De R J Cardoso

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Cactos

Exauriu-se a dor
A flor do amor surgiu
Na ilusão do meu dia
Feroz qual a paixão.

Andar andei... Chorar chorei...
A marca do tempo agora mostra
Caminhos que sonhei.

Uma saudade, uma paixão
Talvez a primeira vivida
Ficou longe, muito longe,
Mas entranhada está em minha vida.

Canto apenas a flor dos cactos
Porque o as outras o vento levou
Por estes cantos também sou levado
E amado por seu amor...

De R J Cardoso

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Rua onde moro, a pacificação

A Rua onde moro II

A rua onde moro continua barulhenta,
Tem moradias de todos os estilos,
Olham-me, mas a dor amenizou-se.
Pontos escuros e infames diminuíram
Já não voam tão temerosos os papeis,
Os estampidos cessaram, até quando não sei...

Aos poucos os gatos vão reaparecendo
Os cães retornam, mas não ladram.
Arvore gradualmente vai se plantando
A rua onde moro já não é mais tão aterrorizante.

Nos templos já se pode ver alguém orando,
Já não há sombra a nos surpreender como antes.
Algumas luzes já se podem ver acesas
O filho continua o mesmo, em nada mudou.

Nas casas já há um tímido clarão
Os pecadores continuam, mas não há mais heróis.
Os meninos são os mesmos e tem meninas gestantes.

Já não há tanta fuga em prol da vida
Nem tantos arrependimentos,
Provocações são raras, traçantes às vezes...
No lugar da ruina ergue-se de tijolo em tijolo nova cidade.

Indefere-se apenas o que é fora da lei
A rua foi apaziguada pela as Unidades Pacificadoras,
Apesar de distantes, e a tristeza noturna deu um tempo.

Já não há tanta aflição na rua onde vivo
Os sons são agradáveis, do meu quarto a paisagem
Continua inspirando amor, não precisa fugir...
O zumbido das armas acalmou... Até quando?
É possível projetar o futuro e continuar amando.

De R J Cardoso

Nota do editor
A poesia acima foi feita sob encomenda por mim, que estava com saudades das poesias e da colaboração do R J Cardoso.
O R J Cardoso havia feito uma "poesia lamento"  sobre a situação de violência que vivia o povo fluminense e agora eu queria ler as palavras dele sobre a nova situação destas mesmas pessoas, após a pacificação 
 realizada. mais que tardiamente.

Relembre a poesia original:  
A rua onde moro 
http://jornaldesericita.blogspot.com/2010/02/rua-onde-moro.html


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Minas debaixo d'água, vítima da corrupção e da inércia das autoridades

Chuva alaga ruas e avenidas em Ponte Nova    
Ponte Nova alagada. 
http://www.uai.com.br/portal/app/galeria-de-fotos/34,6,35,26/2012/01/04/interna_galeriafotos,2122/chuva-em-ponte-nova.shtml

O Raimundo J. Cardoso comentou sobre esta tragédia

Poema do atraso

Depois de tanto amor
Beijou a última paixão
E entregou sua emoção ao vento.

A atimosfera ficou tão rarefeita
E de um denso tão suave
Que os seres puderam melhor viver.

Mas um fumaça que não se soube
Dizer de onde vinha
Surgiu para emporcalhar o planeta,
E até hoje se luta contra a devastação
Deste universo cheio de desamor.

sábado, 17 de setembro de 2011

Fome na Somália

O Chifre
de R J Cardoso




Voejam pelos campos desnudos
Do Chifre lágrimas tangidas
Do sentido levando o farto
Alento do amor, que modifica a alma,
Acalma e alivia do povo a dor.

África, a força negra que impulsiona
O mundo, universo de Mandela,
Talvez a palavra mais bela
Que sacia no planeta sede de justiça
Sem nada pedir a ninguém.

O Chifre em luta, labuta de todos
A por fim a fome, onde mulher e homem
Sofrendo à miséria sem fim...

Trazem na face indesejadas cicatrizes
Que não se adéquam à imagem da TV
A luta é eterna, mas hão de vencer.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Só lembrança

Em Sericita alguns anos vivi.
Lá nasci principalmente
Por isto sou orgulhoso, não sou alegre nem triste
Na alma café com leite
Essa alimentação que à vida traz felicidade.

Aguça-me à labuta o desejo de amar.
Que vem de Sericita, de suas tardes tristes,
Os campos desertos e horizontes sem fim.
Esse hábito de amar que me faz viver
Vem do carinhoso legado sericitensse.

De Sericita nada trouxe além do carinho
Que te ofereço. Nada tive além de suas campinas
Para livre caminhar, do Rio Santana só lembrança
Do amor entranhado em meu viver.

 De R J Cardoso

segunda-feira, 30 de maio de 2011

História de Fazenda

Onde nasci, sobre as águas tranqüilas e escuras,
Havia muita mariazinha e muita taboa, mariazinha
Para nada servia, mas exalava perfume arrebatador
A taboa meu pai cortava e no sol secava, minha mãe
Punha no tear e fazia esteiras para gente dormir

Com quatro ou mais pêndulos de pedras minha mãe amarava
Cada feche da taboa paralelamente. Eu menino gostava
De tocá-los e logo ela dizia: menino sai daí que essas pedras
Podem soltar e cair na sua cabeça – chorando dali me afastava.

Meu pai num banco de madeira sentava, acendia no chão
A fogueira, me botava no colo e acariciava; eu dormia e sonhava
Mas quando acordava o sonho eu não sabia contar.

Na escola da fazenda eu e meu irmão estudávamos,
Falávamos, a professora nos repreendia e algumas vezes
Até nos açoitava por conta da rebeldia.

A tabuada era cantada e em uma só voz a escola retinia
Tudo se decorava e nada se aprendia, na hora da lição
Nossas pernas de medo tremiam, porque se não soubéssemos
O castigo e palmatória comiam.

E não havia jogo de botões, na estrada só poeira se via
Se chovesse no barro afundávamos, mas no peito
A esperança de dias melhores folia fazia.

Poesia de R J Cardoso

domingo, 29 de maio de 2011

Trem da história


Ao som do acordeom noite adentro a festa
Ia alegrando corações, era noite de São João,
Fogueira acesa, batata asada, milho verde,
Broa de milho e muito café com leite
Para os que não tomavam quentão ou vinho tinto.

Maravilhas do campo se manifestavam como fosse
Aquela a última festa, meninas e senhoras
Em traje de gala, homens de terno e gravata
Para lá e para cá sorrindo, dançando e cantando...

Ao amanhecer cada um seguiu seu rumo e para onde
Foi eu não sei, a lembrança trouxe comigo
E deixei um pouco desse fruto nos lugares por onde andei.

A fogueira continua acesa qual tocha olímpica
De jogos não realizados, o campo virou povoado
A fauna e a flora maltratadas, nos pastos não há mais
Invernadas, os bichos em extinção e o campo
Continua com nossa mente de mal impregnada.

De R J Cardoso

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Paisagem

Para onde olho há vida
Embelezando a dimensão
Em cada gesto ou sorriso
Vem a paz no coração.

Teu canto encanta e faz
Elevar as emoções
No olhar consiste e existe
Beleza das ilusões.

E a cada ser vivente leva
Cativar novo dia
No vento que passa e traz
Encanto da magia,

Em ti encontram-se
Versos para poesia
Ternura da paixão
Amor sem dimensão
Espelho da própria vida.

De R J Cardoso

domingo, 17 de abril de 2011

Lembrança


De Santana muita saudade
Lembrança da mocidade
Infância brejeira e aguerrida
Quanta vivacidade no começo de minha vida.

Da natureza seu rio, nobreza
Por gerações vividas,
Santana de Sericita estâncias
Mais bonitas e pessoas de amor destemidas.

De seu canto a beleza persiste
No testemunho do tempo
Perdoe-me o nostálgico lirismo
Lembrança desse carinhoso momento.

R J Cardoso