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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Antes de Brumadinho, antes de Mariana, barragens de rejeito já causaram diversas tragédias em Minas Gerais

Resultado de imagem para barragem de brumadinho
O rompimento das barragens de rejeitos de Brumadinho e Mariana são mais dois acidentes em uma trágica história de desastres deste tipo em Minas Gerais.


Primeiro registro deste tipo de acidente foi em 1986, quando sete pessoas morreram em Itabirito.

Nós últimos anos, foram muitos os eventos com danos ambientais sérios e mortes no estado.

O mais recente foi no dia 10 de setembro de 2014, quando o talude da barragem B1, na Mina Retiro do Sapecado, da Herculano Mineração, se rompeu e deixou três mortos e um ferido. O acidente aconteceu quando seis funcionários trabalhavam na manutenção da barragem e foram surpreendidos pela onda de lama e rejeitos de minério.

Na época, o jornal Estado de Minas destacou um estudo da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) que indicava que mais de 40 barragens no estado não tinham garantia de estabilidade.

Antes disso, em janeiro de 2007, uma barragem com rejeitos da mineradora Rio Pomba Cataguases rompeu e inundou as cidades de Miraí e Muriaé com mais de 2 milhões de litros de lama de bauxita. Mais de 4 mil pessoas ficaram desalojadas e 1.200 casas foram atingidas. A mesma barragem já tinha causado problemas em março de 2006, quando um vazamento contaminou córregos e rios, matando centenas de peixes e interrompendo o fornecimento de água. Apesar do histórico, na época do acidente de 2007, a mineradora atribuiu a causa do acidente às chuvas fortes do começo do ano.

Pior que a tragédia ambiental de 2007, em 29 de março de 2003 uma barragem de rejeitos industriais se rompeu em Cataguases. Foi um dos piores acidentes ambientais do país: cerca de bilhão e quatrocentos milhões de litros de lixívia negra, resíduo da produção de celulose, contaminaram o Rio Paraíba do Sul e córregos próximos por 200 quilômetros, atingindo também o interior do Rio de Janeiro e deixando 600 mil pessoas sem água. Peixes, animais que viviam às margens dos rios e muito da vegetação foram devastados pelo desastre.

Mas mesmo com dimensões colossais e consequências catastróficas, o desastre de 2003 não foi lição o bastante para evitar um novo incidente em 2009 em Cataguases – dessa vez, o pior foi evitado. Para impedir o rompimento de uma barragem que despejaria de uma vez 1,4 bilhões de litros de rejeitos no Rio Paraíba do Sul, foram liberados lentamente resíduos sem tratamentos no corpo d'água, uma operação que durou até agosto de 2012.

Em 2001, cinco pessoas morreram em um acidente grave em Macacos (São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima). Lama e resíduos de mineração encobriram dois quilômetros de uma estrada, após o rompimento de uma barragem da mineradora Rio Verde (hoje Vale). O acidente também causou assoreamento, degradação de cursos hídricos e destruição de mata ciliar.

O registro mais antigo deste tipo de acidente em Minas Gerais foi em Itabirito: sete pessoas morreram no rompimento da barragem de rejeitos da Mina de Fernandinho, do grupo Itaminas. É, por enquanto, o maior número de mortes diretamente causadas por esse tipo de acidente.

A reportagem de Marcelo Faria no Estado de Minas de 05/11/2015

https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2015/11/05/interna_gerais,705019/barragens-de-rejeito-ja-causaram-diversas-tragedias-em-minas-gerais-r.shtml

sábado, 2 de agosto de 2014

Termina neste sábado prazo para que municípios acabem com lixões

Lixo terá de ser encaminhado para aterro sanitário, para evitar contaminação do solo; só 39% das cidades do País têm o local
O prazo para que os municípios cumpram a determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos de acabar com os lixões e armazenar os resíduos sólidos em aterros sanitários encerra neste sábado (2), mas menos da metade deles tem destinação adequada do lixo.
O Brasil tem atualmente 2.202 municípios com aterros sanitários, o que representa 39,5% das cidades do país. Apesar de mais da metade das cidades ainda terem lixões, 60% do volume de resíduos já está com destinação adequada.
Na última quinta-feira (31) a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, informou que o governo federal não vai estender o prazo para que os municípios acabem com os lixões.Segundo ela, uma ampliação pode ser discutida no Congresso Nacional e a repactuação do prazo para a adequação deve vir acompanhada de um debate ampliadosobre a lei, levando em conta a realidade e a lógica econômica de cada município.
“A necessidade de repactuar o prazo deve ser tratada no Congresso Nacional. O governo apoia uma discussão ampliada sobre a lei. Ampliar o prazo sem considerar todas as questões é insuficiente”, avalia a ministra.
Quem não cumprir a legislação estará submetido às punições previstas na Lei de Crimes Ambientais, que prevê multa de R$ 5 mil a R$ 50 milhões. Umas das alternativas para as cidades que não cumpriram a meta seria buscar um acordo com o Ministério Público, que fiscaliza a execução da lei, e firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).
“Aqueles que demostrem interesse de cumprir as obrigações, que firmem acordo com o Ministério Público. Se não fizer absolutamente nada, nem tomar providências, nem assinarem o TAC, vão responder por ação civil pública, por improbidade administrativa e crime ambiental”, explica a a procuradora do Trabalho do Paraná e coordenadora do projeto Encerramento dos Lixões e Inclusão Social e Produtiva de Catadores de Materiais Recicláveis do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Margaret Matos de Carvalho.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada em 2010 e determina que todos os lixões do país deverão ser fechados até a data de hoje. Pela lei, o lixo terá que ser encaminhado para um aterro sanitário, forrado com manta impermeável, para evitar a contaminação do solo. O chorume deve ser tratado e o gás metano terá que ser queimado.
Nos últimos quatro anos, desde que a política foi aprovada, o governo federal disponibilizou R$ 1,2 bilhão para municípios e estados para ações de destinação de resíduos sólidos, incluindo a elaboração de planos e investimentos em aterros. Segundo a ministra Izabella Teixeira, menos de 50% desses recursos foram executados, por causa de situações de inadimplência de municípios ou dificuldades operacionais.

Da Agência Brasil 
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-08-02/encerra-neste-sabado-prazo-para-que-municipios-acabem-com-lixoes.html

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Aquecimento global: é inevitável o suicídio coletivo?

É inevitável o suicídio coletivo?

Se algo não mudar, vamos chegar ao fim do século com mudança de clima que  ameaça a civilização
Em 10 mil anos de história, é a primeira vez que a humanidade tem o poder de cometer suicídio coletivo. Era essa a tese central de Emmanuel Mounier em "O Grande Medo do Século 20". Publicado em 1947, o livro se referia à ameaça de uma catástrofe atômica, angústia constante na fase aguda da Guerra Fria entre EUA e URSS. Passaram-se 66 anos e conseguimos evitar o pior.

Na época de Mounier não se sabia que os homens poderiam liquidar o mundo não só com bombas, mas com o aumento desenfreado da produção econômica e do abuso dos combustíveis fósseis. Quinze dias atrás, ultrapassamos o sinal amarelo no rumo da destruição. A atmosfera registrou 400 partículas de dióxido de carbono por um milhão.

É preciso recuar 4,5 milhões de anos para encontrar concentração comparável. O clima era então muito mais quente, quatro ou cinco graus a mais em média. No ritmo atual, não existe nenhuma possibilidade de limitar o aquecimento global a dois graus como decidido em Copenhague. Se algo não mudar, vamos chegar ao fim do século com 800 partículas e mudança de clima de dimensões que ameaçam a sobrevivência da civilização tal como a conhecemos.

A violação da marca simbólica de 400 por milhão não provocou nenhuma declaração ou alerta de chefes de Estado. Um dia depois, os jornais esqueceram o assunto e voltou-se ao dia a dia como se nada tivesse acontecido. Como explicar tal indiferença diante da morte anunciada que espera o mundo dos homens?

O silêncio é inexplicável numa sociedade na qual a ciência substituiu a religião como crença unificadora. Ora, a ciência climática não permite dúvidas:  de 12 mil estudos científicos sobre o tema em 20 anos, 98,4% confirmam as previsões!

Há muitas explicações para a inércia. Uma delas tem a ver com a natureza da ameaça. Crises como a dos mísseis de Cuba em 1962 precisam ser resolvidas em horas ou dias. Se o presidente Kennedy tivesse hesitado, em poucos dias seria tarde demais. Já o desastre ambiental é como um câncer de expansão lenta: sabe-se que ele está lá, que se nada se fizer, a morte é inevitável. Mas não se sabe o dia nem a hora. Isto é, uma catástrofe em futuro indeterminado carece da força para precipitar soluções difíceis.

O provável por isso é que só haverá ação decisiva para evitar o colapso definitivo depois de uma sucessão de calamidades espantosas. Quando isso suceder, muitas das consequências já se terão tornado irreversíveis como o derretimento das geleiras, a elevação do nível dos oceanos, a inundação de cidades, a desertificação, a extinção de milhares de espécies.

Toynbee lembrava num dos seus últimos livros que nisso os homens deveriam  invejar insetos como as formigas, condicionados do ponto de vista psicossomático a agir coletivamente por instinto de sobrevivência. Estudo recente comprovou que os peixes já estão migrando para o norte em busca de águas mais frias. Enquanto isso, os seres humanos se deslumbram com o avanço em produzir e queimar mais gás a partir do xisto...

A razão talvez esteja com o poeta T.S. Eliot: o mundo acaba não com um estrondo, mas com um gemido.

De 
Rubens Ricupero na Folha de São Paulo de 27/05/2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Projeto identificação de saguis

Projeto identificação de saguis

Olá! Bom dia!

Meu nome é Fernanda, sou estudante de pós graduação em Biologia
Animal da Universidade Federal de Viçosa – MG, sou orientada pela Profa. Ita de Oliveira e Silva (ita.silva@ufv.bre co-orientada pelo 
Prof. Vanner Boere (vanner.boere@ufv.br).
Estou desenvolvendo um projeto de identificação de populações de saguis (micos ou souim) que ocorrem no estado de Minas Gerais, utilizando entrevistas com questionários enviados por email, com oito questões rápidas de responder. Os resultados são importantes para definir como está distribuída a fauna de saguis no estado e a questão da biodiversidade.
Peço, por favor, que nos ajude respondendo o questionário em anexo e, se possível, encaminhe esse email para mais pessoas de seu município.

Estou à disposição para mais informações sobre o projeto e para qualquer esclarecimento.
Desde já agradeço a atenção.
Atenciosamente,

Fernanda de Fátima Rodrigues da Silva
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Biologia Animal
Universidade Federal de Viçosa - Viçosa MG

Facebookhttp://www.facebook.com/ProjetoIdentificacaoDeSaguisMg
Tel.: 31 3899 2561

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

IPÊ ROSA


IPÊ rosa da estrada de ItaPEcerica

  

A temporada de ipês

No começo do inverno os ipês nos alegram com aquela cor que lembra coração, cor de coração apaixonado, ROXO.

Em agosto o ouro cobre as paisagens, é o ipê amarelo que mais parece pé de ouro, uma árvore feita com o precioso metal.

A candura do ipê branco, mais raro difícil de encontrar, nos faz pensar sobre a diversidade de seres e cores de nosso universo.

No final do inverno e começo de primavera chega a vez das rosas subirem em árvores, é a temporada do ipê rosa.

Nestes dias tenho a felicidade de transitar por uma avenida com florida, linda, deslumbrante, enfeitada com dezenas, talvez centenas de ipês rosa.

domingo, 28 de outubro de 2012

sábado, 29 de setembro de 2012

Projeto identifica​ção de saguis


Olá! Boa noite!

Meu nome é Fernanda, sou estudante de pós graduação em Biologia
Animal da Universidade Federal de Viçosa – MG, sou orientada pela
Profa. Ita de Oliveira e Silva (ita.silva@ufv.br) e co-orientada
pelo Prof. Vanner Boere (vanner.boere@ufv.br). Estou desenvolvendo
um projeto de identificação de populações de saguis (micos ou souim)
que ocorrem no estado de Minas Gerais, utilizando entrevistas com
questionários enviados por email, com oito questões rápidas de
responder. Os resultados são importantes para definir como está
distribuída a fauna de saguis no estado e a questão da
biodiversidade.
Peço, por favor, que nos ajude respondendo o questionário em anexo
e, se possível, encaminhe esse email para mais pessoas de seu
município.
Estou à disposição para mais informações sobre o projeto e para
qualquer esclarecimento.
Desde já agradeço a atenção.
Atenciosamente,

Fernanda de Fátima Rodrigues da Silva
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Biologia Animal
Universidade Federal de Viçosa - Viçosa MG
Facebook: http://www.facebook.com/ProjetoIdentificacaoDeSaguisMg
Tel.: 31 3899 2561

Universidade Federal de Viçosa – UFV
Departamento de Biologia Animal – DBA
Programa de Pós-graduação em Biologia Animal



Universidade Federal de Viçosa – UFV
Departamento de Biologia Animal – DBA
Programa de Pós-graduação em Biologia Animal

QUESTIONÁRIO

Solicitamos que, por favor, as perguntas sejam respondidas com base em experiências próprias.


Nome:
Idade:
Profissão:
Cidade:
Há quanto tempo mora ou trabalha na cidade:

1) Nos últimos 5 cinco anos, você observou saguis (micos ou souim) em algum local no município ?
 (   ) Sim   (   ) Não
Caso sua resposta tenha sido “NÃO”, vá direto à pergunta 8.
2) Em que local do município você viu saguis (micos ou souim)?
(   ) Área de mata preservada    (   ) Propriedade rural    (   ) Próximo a área urbana  
(   ) Em cativeiro    (   ) Parques ou reservas   (   ) Em outro local
3) Normalmente quantos animais você vê?
(   ) Até quatro animais
(   ) Entre cinco e dez animais
(   ) Acima de dez animais

4) A quantidade de saguis (micos ou souim) no município mudou nos últimos anos?
(   ) Sim, a quantidade de animais diminuiu
(    ) Sim, a quantidade de animais aumentou
(    ) Não, a quantidade de animais não mudou  
(    ) Não sei

5) Os saguis (micos ou souim) costumam se aproximar das pessoas?
(   ) Sim      (   ) Não     (   ) Não sei    

6) De acordo com figuras abaixo, indique com qual ou quais figuras os saguis (micos ou souim) que você observou mais se parecem.
(A)      (B)     (C)      (D)      (E)      (F)     (G) Não sei    

7) Algumas pessoas em Minas Gerais tem encontrado saguis (micos ou souim) que parecem ser cruzamentos  entre as diferentes espécies demonstradas abaixo.  Você já observou isso no seu município?
(Se possível, diga com que combinação de figuras os saguis híbridos da sua cidade mais se parecem).
(   ) Sim      (   ) Não      (   ) Não sei   
8) Você já ouviu falar da existência de saguis (micos ou souim) em algum outro local do município?
(   ) Não
(   ) Sim.  Onde?

Solicitamos que, se possível, nos envie alguma foto dos saguis (micos ou souim) que você costuma observar no município.


Saguis Minas Gerais saguisminasgerais@yahoo.com.br
30 set (1 dia atrás)
para mim
Olá José Geraldo!
muito obrigada por publicar meu questionário, isso vai me ajudar muito. Gostaria de pedir mais uma coisa, poderia publicar no blog também que caso alguém possa me ajudar respondendo o questionário que a pessoa, por favor, entre em contato comigo por email para que eu possa enviar o questionário com as figuras e assim a pessoa possa me responder.

O email é  saguisminasgerais@ufv.br

Mais uma vez, obrigada!!

Att
Fernanda


De: José Gera

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Minas debaixo d'água, vítima da corrupção e da inércia das autoridades

Chuva alaga ruas e avenidas em Ponte Nova    
Ponte Nova alagada. 
http://www.uai.com.br/portal/app/galeria-de-fotos/34,6,35,26/2012/01/04/interna_galeriafotos,2122/chuva-em-ponte-nova.shtml

O Raimundo J. Cardoso comentou sobre esta tragédia

Poema do atraso

Depois de tanto amor
Beijou a última paixão
E entregou sua emoção ao vento.

A atimosfera ficou tão rarefeita
E de um denso tão suave
Que os seres puderam melhor viver.

Mas um fumaça que não se soube
Dizer de onde vinha
Surgiu para emporcalhar o planeta,
E até hoje se luta contra a devastação
Deste universo cheio de desamor.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Tempestade em Sericita e arredores



Na tarde do dia 28 /10/2011, sexta feira uma chuva de granizo e vento fez vários estragos na cidade, arrancando telhados e comprometendo a safra de café do próximo ano, as flores caíram 75 % .

No distrito de Santana de Sericita o vento arrancou vários telhados, um deles acabou atingindo a cabeça de Sebastião Pio filho do senhor João Pio , o rapaz de 41 anos foi socorrido mas veio a falecer antes de chegar no hospital.

Os moradores de Santana e Sericita ficaram surpresos e muito assustados com a forte tempestade.

O sepultamento de Sebastião foi no cemitério de Santana

Notícia enviada por Luciano Santana.

Meu comentário: o temporal ou tempestade atingiu outros locais como o vilarejo de Barroso na divisa entre Abre Campo e São Pedro dos Ferros 

sábado, 8 de outubro de 2011

Calor

Os agricultores já estão com as sementes compradas, bem como os fertilizantes, somente esperando chover
A agricultura tem seus tempos certos: a semente só pode ser plantada quando a terra estiver úmida e quente o suficiente para que o milagre da germinação se realize.
Aí, a descomunal força da natureza faz com que da minúscula semente saia um conjunto de raízes que buscarão a água e os nutrientes que garantirão o crescimento da parte aérea, que, por sua vez, sobe, atravessa a camada de terra e emerge para a luz e para todos os desafios: calor, frio, seca, enchente, geada, granizo, formigas e outros insetos, fungos e outros agentes patogênicos.
E, em vencendo tudo isso, a plantinha nascida produzirá os frutos que alimentarão animais e pessoas, fazendo com que a vida prossiga e a humanidade fique em paz.
Mas, atenção, tudo tem seu tempo: o fenômeno fisiológico da germinação só acontece se as condições naturais todas se associarem a seu favor.
Não adianta, por exemplo, plantar uma semente de milho em julho: faltará água, faltará calor, e, mesmo que a planta nasça, não terá forças para crescer -e acabará perecendo. E os gastos com insumos, crédito, máquinas e serviço terão sido inúteis, e o prejuízo será certo.
É por isso que tudo tem de ser feito na hora certa, não só do lado do produtor rural , mas também do lado das políticas públicas que fomentam e apoiam a atividade produtiva, como a liberação do crédito.
Não adianta o recurso chegar depois que passar o tempo do plantio, assim como é inútil um seguro rural ser liberado depois de o problema ser identificado.
Pois bem, estamos em outubro, principal mês de plantio de grãos no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste brasileiro. Os agricultores já estão com as sementes compradas e guardadas, bem como os fertilizantes e os defensivos, só esperando chover de verdade. Já começaram as primeiras águas, mas ainda insuficientes.
As máquinas estão reformadas, o pessoal contratado, há uma expectativa no ar, uma ansiedade geral, todo mundo consultando as previsões oficiais de tempo, os mais velhos olhando e interpretando os sinais da natureza.
É aquela mesma apreensão de cada ano, de cada verão, de plantar de novo para, mais uma vez, preservar a vida.
Todo mundo esperando, esperando, esperando... E ele, veterano agricultor, também espera. As rugas cortam o seu rosto queimado pelo sol e, com os cabelos brancos, contam os anos passados na permanente labuta do campo. Ele também espera.
Mas ele não consegue esquecer aquele ano, lá atrás. Tinha sido muito seco, desde abril não caíra uma gota de chuva. É verdade que nesta época não é mesmo de chover, mas daquele jeito nunca vira.
Quando setembro chegara, tudo estava seco, cinzento. Nada verde, nenhuma flor colorida. Havia uma bruma espessa e cinzenta resultante de mil incêndios em toda a região. Um cheiro de morte rondava a natureza.
Mesmo assim ele estivera pronto, como sempre: os insumos comprados, as máquinas engraxadas, a turma concentrada. E esperara...
Mas setembro passara, e nada. Outubro também passara, um calor desesperador, sol causticante, 31 dias sem uma nuvem no céu. Entrara novembro, Finados passara, e nada -só o calor brutal. Chegara o feriado da Proclamação da República, e nada.
O tempo passara e ele pensando nos prejuízos: acabaria plantando tarde, o ciclo seria curto, a plantação não se desenvolveria, a produção seria baixa com custo alto. Conseguiria pagar as contas?
Dia 21 de novembro dera um chuvisqueiro; pouco, mas molhara a terra e ele mandara ver: os tratores roncaram e, por três dias de muito trabalho, plantara quase tudo. Parara, porque não chovera mais nada e a terra secara, o calor voltara infernal. E a seca seguira inclemente.
As primeiras sementes germinaram, soltaram folhinhas tímidas que esperaram mais chuva. Estiolaram, morreram, tudo acabara. Ano trágico, fizera quase tudo certo, quase quebrara, quase perdera tudo.
Agora, anos depois, estava ele de novo, esperando. Outro outubro, pensando, quem sabe, que tudo vai correr bem desta vez.

Texto de ROBERTO RODRIGUES, 69, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Depto. de Economia Rural da Unesp - Jaboticabal, foi ministro da Agricultura (governo Lula). 

Na Folha de São Paulo de 08/10/2011

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Odair Cunha (PT-MG) quer reduzir parque nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais.

Odair Cunha (PT-MG) quer reduzir de 200 mil para 71 mil hectares a área do parque nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais.

O parque é palco de uma disputa entre agricultores, mineradores de quartzo e diamante e o Instituto Chico Mendes, que gerencia as unidades de conservação.


Há um projeto de lei de 2007, de autoria de Cunha e outros deputados mineiros, que reduz o parque em 70% para acomodar seus ocupantes. "Como a lei anda em passo de tartaruga e a MP é mais ágil, fiz essa proposta", disse o deputado à Folha.

Este crime contra a ecologia será possível através de um artifício apelidado de e emenda "contrabando". 


Texto de Cláudio Ângelo na Folha de São Paulo de 28/09/2011
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2809201101.htm


Meu comentário: é safadeza pura. 

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Código Florestal e a questão nacional

Aldo Rebelo escreve



Os foros internacionais, como a OMC, são um palco por demais ostensivo para que os agentes dissimulem seus verdadeiros interesses

"Se vós não fôsseis os pusilânimes, recordaríeis os grandes sonhos que fizestes por esses campos..." (Cecília Meireles, "Romanceiro da Inconfidência").
O longo e difícil debate acerca da reforma do Código Florestal Brasileiro colocou em destaque, ainda que de forma não suficientemente explícita, a velha e boa questão nacional. De um lado, a lógica dos que associam a conservação e reprodução da natureza aos interesses do Brasil funda-se na simbiose entre ambiente e desenvolvimento.
De outro, a bandeira do conservacionismo é travestida de subordinação dos interesses nacionais a um movimento que se apresenta asséptico, puro e altruísta na defesa da preservação da Terra, mas que na verdade tem na retaguarda protagonista que surgiu na humanidade desde que o homem superou a barbárie e começou a trocar mercadorias: o general comércio.
A grande disputa se dá hoje no campo no ambientalismo. Os foros internacionais, como a Organização Mundial do Comércio e seus ciclos de negociações, como a empacada Rodada Doha, são um palco por demais ostensivo para que os agentes dissimulem seus verdadeiros interesses.
As posições têm de ser claras e duras, tangenciadas unicamente pela busca das mesmas divisas monetárias que orientam as cúpulas ambientais. Nenhum país vai a essas reuniões disposto a chancelar resoluções que limitem o seu desenvolvimento.
Daí porque o interesse comercial tem de extrapolar esses foros, que são tão limitados, e tomar a forma de partidos cosmopolitas que seduzam os corações e as mentes, apresentando-se como despidos de interesses nacionais e trajando o figurino de preocupação com o futuro da humanidade.
O movimento ambientalista assim se robustece como o maior fenômeno ideológico dos nossos tempos. Seu campo fecundo é a realidade que de fato clama por um programa de uso inteligente dos recursos naturais do planeta.
Mas o pano de fundo é o interesse comercial, que, por não poder assim se expressar, assume a roupagem de uma nova utopia que engaja quem não aderiu ou mesmo quem se desiludiu com antigas propostas de efetiva transformação do mundo. Que engajamento mais nobre, universalmente humanitário, poderia pleitear além da defesa de um planeta limpo e saudável?
É evidente que, para as ONGs internacionais, pouco importa o percentual de reserva legal ou a metragem de mata ciliar, já que em nenhum país tais reivindicações constam de suas plataformas ou de suas preocupações.
O Brasil perdeu mais de 23 milhões de hectares de agricultura e pecuária, em dez anos, para unidades de conservação, terras indígenas ou expansão urbana.
Acham pouco. Querem escorraçar plantações de mais de 40 milhões de hectares e plantar mata no lugar. Quem não concorda é acusado de "anistiar" desmatadores, num processo de intimidação que acua almas pusilânimes no governo e na sociedade.
Quebraram a agricultura da África e do México com subsídios bilionários. Pensam que podem fazer o mesmo por aqui. Será?

ALDO REBELO, 55, jornalista, é deputado federal pelo PC do B de São Paulo e autor do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, já aprovado pela Câmara dos Deputados.
E-mail: dep.aldorebelo@camara.gov.br.

Da Folha de São Paulo de 14/06/2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Alerta que vem da lama


Biogeógrafo americano Jared Diamond afirma que estamos sob risco de suicídio ecológico, mas há saída

Ivan Marsiglia e Carolina Rossetti - O Estado de S.Paulo

Dilúvio. Capela de Santo Antônio, em Nova Friburgo, dia 21: 'Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias relacionadas a mudanças climáticas' 


Rubbish! É a resposta - em bom inglês - do biogeógrafo americano Jared Diamond para a pergunta sacada com frequência pelos "céticos do clima" no afã de congelar o debate ambiental: o aumento da temperatura do planeta, ao qual se atribui a intensificação dos ciclos de calor e frio testemunhada hoje por toda a parte, pode ser o resultado de um ciclo natural da Terra? Rubbish - lixo, besteira. "A ideia de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje são naturais é tão ridícula quanto a que nega a evolução das espécies", fustiga o autor de Colapso (Record, 2005), um tratado multidisciplinar de 685 páginas na edição brasileira que analisa as razões pelas quais grandes civilizações do passado entraram em crise e virtualmente desapareceram. E a questão assustadora que emerge de seu olhar sobre as ruínas maias, as estátuas desoladoras da Ilha de Páscoa ou os templos abandonados de Angkor Wat, no Camboja, é: será que o mesmo pode acontecer conosco?
A resposta de Diamond, infelizmente, é sim. Ganhador do Prêmio Pulitzer por sua obra anterior, Armas, Germes e Aço (Record, 1997), em que focaliza as guerras, epidemias e conflitos que dizimaram sociedades nativas das Américas, Austrália e África, o cientista americano há anos nos adverte sobre os cinco pontos que determinaram a extinção de civilizações inteiras. O primeiro, é a destruição de recursos naturais. O segundo, mudanças bruscas no clima. O terceiro, a relação com civilizações vizinhas amigas. O quarto, contatos com civilizações vizinhas hostis. E, o quinto, fatores políticos, econômicos e culturais que impedem as sociedades de resolver seus problemas ambientais. Salta aos olhos em sua obra, portanto, a centralidade que tem a ecologia na sobrevivência dos povos. 
Foi na semana subsequente à pior catástrofe natural da história do País, na região serrana do Rio de Janeiro - a mesma em que um arrepiante tornado surgiu nos céus de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense -, que Jared Diamond falou por telefone ao Aliás. Às vésperas do lançamento no Brasil de um de seus primeiros livros, O Terceiro Chimpanzé (1992), o professor de fisiologia e geografia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, fala das providências cruciais que o ser humano deverá tomar nos próximos anos para garantir sua existência futura. Diz que as elites políticas, seja nos EUA, na Europa, nos países pobres e nos emergentes, tendem a tomar decisões pautadas pelo retorno em curto prazo - até um ponto em que pode não haver mais retorno. Avalia que o Brasil dos combustíveis verdes tem sido "uma inspiração para o mundo", mas também um "mau exemplo" na preservação de suas florestas tropicais. E fala da corrida travada hoje, cabeça a cabeça, entre "o cavalo das boas políticas e aquele das más", que vai determinar o colapso ou a redenção das nossas próximas gerações. 
O Brasil enfrentou tempestades de verão que mataram mais de 700 pessoas. Debarati Guha-Sapir, do Centro de Pesquisas sobre a Epidemiologia de Desastres da ONU, disse que o tamanho da tragédia é indesculpável, pois o País tem apenas um desastre natural para gerenciar. Como evitá-lo no futuro? 
Precisamos estar preparados para um número cada vez maior de tragédias humanas relacionadas a mudanças climáticas. O clima se tornará mais variável. O úmido será mais úmido e o seco, mais seco. A Austrália, por exemplo, acaba de sair da maior seca de sua história recente e agora enfrenta o período mais úmido já registrado no país. Em Los Angeles, onde moro, recentemente tivemos o dia mais quente da história e, há algum tempo, o ano mais chuvoso e também o mais seco que a cidade já viu. 

Em seus escritos, o sr. aponta a Austrália como um país com estilo de vida antagônico às suas condições naturais. Mas, em comparação com o Brasil, os australianos se saíram melhor: enfrentaram a pior enchente em 35 anos, mas contabilizaram apenas 30 mortos. Como explicar isso? 

É verdade que o modo de vida dos australianos não está em harmonia com suas condições naturais. Mas o estilo de vida dos americanos e dos brasileiros tampouco. O modo de vida do mundo não está em harmonia com as condições naturais deste próprio mundo. No caso da Austrália, o país fica no continente que tem o meio ambiente mais frágil, o clima mais variável e o solo menos produtivo. Mas a Austrália é um país rico e dispõe de mais dinheiro que o Brasil para criar uma infraestrutura que gerencie tais problemas. Em Los Angeles, onde as enchentes são recorrentes, não resta um rio em seu leito natural: todos receberam canais de concreto para reduzir o risco de enchentes. A minha casa fica literalmente em cima de um córrego coberto por uma estrutura de concreto. Nos 34 anos em que vivi nessa casa, apenas duas vezes a água invadiu o porão. 

Em Colapso, o sr. lista cinco razões que explicam o declínio das sociedades. Elas continuam as mesmas?
Sim. Os cinco fatores que levo em consideração ao tentar entender por que uma sociedade é mais ou menos propícia a entrar em colapso são, em primeiro lugar, o impacto do homem sobre o meio ambiente. Ou seja, pessoas precisam de recursos naturais para sobreviver, como peixe, madeira, água, e podem, mesmo que não intencionalmente, manejá-los erradamente. O resultado pode ser um suicídio ecológico. O segundo fator que levo em conta é a mudança no clima local. Atualmente, essa mudança é global, e resultado principalmente da queima de combustíveis fósseis. O terceiro fator são os inimigos que podem enfraquecer ou conquistar um país. O quarto são as aliados. A maioria dos países hoje depende de parceiros comerciais para a importação de recursos essenciais. Quando nossos aliados enfrentam problemas e não são mais capazes de fornecer recursos, isso nos enfraquece. Em 1973, a crise do petróleo afetou a economia americana, que dependia da importação do Oriente Médio de metade dos combustíveis que consumia. O último fator recai sobre a capacidade das instituições políticas e econômicas de perceber quando o país está passando por problemas, entender suas causas e criar meios para resolvê-los.

O colapso da sociedade como hoje a conhecemos é evitável ou apenas prorrogável?
É completamente evitável. Se ocorrer, será porque nós, humanos, o causamos. Não há segredo sobre quais são os problemas: a queima exagerada de combustíveis fósseis, a superexploração dos pesqueiros no mundo, a destruição das florestas, a exploração demasiada das reservas de água e o despejo de produtos tóxicos. Sabemos como proceder para resolver essas coisas. O que falta é vontade política. 

O Brasil tem feito sua parte? 

Nunca estive no Brasil, portanto não posso falar a partir de uma experiência de primeira mão. Mas pelo que entendo, vocês adotaram uma solução imaginativa para a questão energética, com a produção de etanol. O Brasil é uma inspiração para o resto do mundo em relação aos carros flex. Por outro lado, mesmo que o País esteja consciente dos riscos de se desmatar a maior floresta tropical do mundo, muito ainda precisa ser feito. A Amazônia é muito importante para os brasileiros, pois ela regula o clima do país. Se a destruírem, o Brasil inteiro sofrerá com as secas. 

De que maneira as elites tomadoras de decisão podem encabeçar a solução dos problemas ou ser responsáveis por conduzir sociedades à autodestruição? 
Uma elite que foi competente em solucionar problemas é a composta por políticos dos Países Baixos, que têm grandes dificuldades com o manejo de água, já que um terço da área desses países está abaixo do nível do mar. A Holanda investiu uma quantidade enorme de dinheiro no controle de enchentes. Uma coisa que motivou os políticos holandeses é que muitos deles vivem em casas que estão sob o nível do mar. Eles sabem que se não resolverem a coisa vão se afogar com os demais. Outra elite razoavelmente bem-sucedida é a realeza do Butão, nos Himalaias. O rei butanês disse ao seu povo que o país precisa se tornar uma democracia quer queira, quer não. Ele também anunciou que a meta do país não é aumentar o PIB, mas elevar o índice que mede a felicidade nacional. Isso é verdadeiramente uma meta maravilhosa. Nos EUA, temos políticos poderosos com uma visão curta e destrutiva. Acho que contamos com um bom presidente, mas temos uma oposição cujos objetivos no presente momento se resumem a ganhar a próxima eleição presidencial e, repetidamente, tem negado a existência da mudança climática e do aquecimento global. 

De que forma o declínio de sociedades antigas pode nos servir de lição? 
Algumas sociedades do passado cometeram erros decisivos, outras agiram com sabedoria e tiveram longos períodos de estabilidade. Um vizinho de vocês, o Paraguai, é um exemplo de país que cometeu um erro crucial, há 120 anos: lutar simultaneamente contra Brasil, Argentina e Uruguai. Isso resultou na morte de 80% dos homens e um terço da população. Tomando como exemplo o Paraguai, precisamos aprender a adotar metas realistas. Podemos aprender também com os países que manejam bem seus recursos, como a Suécia e a Noruega, ou tomar como mau exemplo a Somália - que desmatou suas florestas e hoje sofre com a seca. Em defesa da Somália, podemos argumentar que o país não conta com um grande número de ecologistas capacitados, ao contrário de Brasil e EUA. 

O sr. estudou a ascensão e queda de sociedades no passado, mas o que se discute agora é o futuro da própria humanidade. Sua teoria é capaz de explicar os desafios do mundo globalizado?
Sim. É verdade que esta é a primeira vez na história que enfrentamos o risco de o mundo inteiro entrar em colapso. No passado, o colapso do Paraguai, por exemplo, não teve nenhum efeito na economia da Índia ou da Indonésia. Hoje, até mesmo quando um país remoto, como a Somália ou o Afeganistão, entra em colapso isso repercute ao redor do mundo. Mas, por analogia, é possível tirar conclusões semelhantes. 

O geógrafo brasileiro Milton Santos (1926-2001) enfatizou aspectos socioculturais para explicar os dilemas da sociedade, enquanto seu trabalho é considerado por alguns como geodeterminista. Aspectos culturais não teriam mais influência sobre o futuro das sociedades que os naturais? 
Com frequência as pessoas me perguntam se isso ou aquilo é mais importante para explicar o declínio das sociedades. Questões como essas são ruins. É o mesmo, por exemplo, que perguntar sobre as causas que levaram ao fracasso de um casamento. O que é mais importante para manter um casamento feliz? Concordar sobre sexo ou dinheiro, ou crianças, ou religião, ou sogros? Para se ter um casamento feliz é preciso estar de acordo a respeito de sexo e crianças e dinheiro e religião e sogros. O mesmo se dá no entendimento do colapso de sociedades. Fatores culturais são importantes, mas diferenças ambientais não podem ser ignoradas. Por exemplo, as regiões Sul e o Sudeste do Brasil são mais ricas que a Norte. Isso é por causa do meio ambiente, não porque as pessoas no norte sejam burras e as do sul mais inteligentes ou cultas. A explicação é que o norte do país é mais tropical e áreas tropicais tendem a ser mais pobres porque têm menos solos férteis e mais doenças. O mesmo é verdade nos EUA, onde até 50 anos atrás o sul foi sempre mais pobre que o norte. Ao redor do mundo, esse padrão é repetido: países tropicais tendem a ser mais pobres que os de zonas temperadas. 

Que sociedades estão em colapso hoje?

Todas as sociedades do mundo estão em risco de colapso. Se a economia mundial colapsar isso afetará todos os países. Nós vimos o que houve dois anos atrás, quando o mercado financeiro americano quebrou, afetando todas as bolsas do mundo. Então, embora todos os países estejam em risco de colapso, alguns estão mais próximos dele do que outros - por uma maior fragilidade ambiental, porque são menos maduros política ou ecologicamente ou por qualquer outro motivo. Por exemplo, o Haiti, que retornou agora às manchetes com a volta do ditador Baby Doc, viu seu governo virtualmente colapsar e continua em grande dificuldade. O México enfrenta dificuldades gravíssimas relacionadas a problemas ecológicos, com a aridez de suas terras, e políticos, com a onda de assassinatos ligada ao tráfico de drogas. Paquistão é um exemplo óbvio, Argélia, Tunísia, que também estão no noticiário... Do outro lado, dos países com menos risco de colapso estão a Nova Zelândia, o Butão e, na América Latina, a Costa Rica. Chile também vai bem. E o Brasil tem melhores perspectivas que vizinhos como a Bolívia, claro. 

Países podem se recuperar do colapso?

O colapso normalmente não é definitivo. Houve colapsos no passado que foram sucedidos por retomadas. O Império Romano caiu e, apesar disso, a Itália é hoje um país de Primeiro Mundo. 

A Europa, onde o debate a as leis de proteção ambiental mais avançaram, também entrou em crise. Quando isso ocorre, há risco de retrocesso nas políticas ambientais? 
É possível. Muita gente sustenta que, quando a economia está fraca, não se consegue investir como se deve no meio ambiente. O colapso econômico de fato põe em risco os avanços em sustentabilidade. Só que os problemas ambientais só são fáceis de resolver nos estágios iniciais. Nesse ponto custam menos, mas se aguardamos 20 ou 30 anos, eles se tornarão muito caros ou impossíveis de solucionar. 

Nos EUA, quando o presidente Obama condicionou empréstimos às montadoras americanas ao investimento em carros mais baratos e menos poluentes, a crise não ajudou?
Tanto as crises econômicas podem ter bons efeitos para a política ambiental como fazê-la retroceder. Nos EUA, antes do crash financeiro, estava muito em moda o Hummer, um jipe de 3 toneladas, versão civil de um veículo militar utilizado no Iraque. Era caríssimo e gastava horrores em combustível. Aparentemente, suas vendas despencaram e isso é um efeito positivo da crise econômica. Ainda assim, há americanos ignorantes que ainda insistem em dizer que, uma vez que estamos em crise, podemos deixar a agenda ecológica de lado. 

Há modelos econômicos melhores e piores no que diz respeito aos danos ecológicos?
No momento em que falamos, tenho que dizer que o modelo econômico americano não parece ser o mais adequado. Por outro lado, somos uma democracia, com maus políticos, mas também bons - que denunciam os problemas que põem em risco o futuro. Numa ditadura comunista, por exemplo, isso seria impossível. Gosto do sistema capitalista porque ele pressupõe competição, inclusive de ideias. Mas aprecio também o papel do Estado em interferir no capitalismo, evitando os monopólios e enfrentando grupos cujos interesses vão de encontro aos da maioria da população. Em comparação, eu diria que o modelo europeu de capitalismo, mais socializado e comprometido com o bem comum, é atualmente a alternativa menos ruim.

Alguns cientistas afirmam que não se pode dizer ao certo que o aquecimento global seja culpa da ação do homem; pode ser parte de um ciclo natural da Terra. 

Sabe a palavra inglesa rubbish? Significa lixo, mas é usada em linguagem coloquial em referência a ideias ridículas. O argumento de que as mudanças climáticas que estamos presenciando hoje sejam apenas naturais é simplesmente ridículo. Tanto como aquele que nega a evolução das espécies. As evidências de que tais mudanças se devem a causas humanas são irrefutáveis. Os anos mais quentes registrados em centenas de anos se concentram nos últimos cinco que passaram. O planeta já enfrentou flutuações de temperatura no passado, mas nunca nos padrões registrados hoje. Não conheço um único cientista respeitável que afirme que as atuais mudanças de clima não se devam à ação humana. É por isso que eu digo: rubbish

Seis anos depois do lançamento de Colapso, o sr. está mais otimista ou pessimista em relação ao futuro de nossa civilização? 

Diria que me mantenho mais ou menos no mesmo nível. Tenho visto coisas ruins piorarem e boas tornarem-se melhores. O que mais me preocupa é que continuamos vendo um aumento vertiginoso do consumo no mundo, seja nos EUA, na China, na Índia ou no Brasil. O que me anima é que cada vez mais pessoas reconhecem a gravidade da situação e estão tomando iniciativas. Uma metáfora que gosto de usar é a da corrida de cavalos. Há dois deles correndo agora, o cavalo da destruição e o cavalo das boas políticas. Nestes últimos seis anos, eu diria que os dois têm corrido cada vez mais rápido, disputando cabeça a cabeça. Não sei qual vencerá a corrida, mas diria que as chances do cavalo do bem vencer são de 51%, enquanto o das más políticas tem 49%. E, se nossa destruição não é certa, nem um destino inescapável, é preciso saber que se não tomarmos medidas urgentes vamos ter grandes problemas. 

A indústria do entretenimento mostra, cada vez mais, imagens do fim do mundo, prédios em ruínas, cidades abandonadas. Por que somos tão fascinados por nossa destruição?

Parte disso se deve à força romântica das imagens de civilizações passadas que entraram em colapso, como as ruínas dos maias, incas e astecas. Ou os escombros das guerras no Iraque e no Irã. E pensamos: quem construiu aqueles templos e monumentos, tinha uma cultura e arte admiráveis, podia imaginar que isso aconteceria? Por que essas civilizações entraram em colapso, sem poder evitar? E nos angustiamos: será que isso também vai acontecer conosco? 

D'O Estado de São Paulo

domingo, 16 de janeiro de 2011

Desleixo assassino

Como mostrou ontem o repórter Evandro Spinelli na Folha, o risco de um desastre de grandes proporções na belíssima região de Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo foi detectado há dois anos por um estudo técnico encomendado pelo próprio governo do Rio.

E o que o governo fez com o resultado? Largou às traças, deixou pegando poeira na burocracia, empurrou para a gaveta ou simplesmente jogou no lixo -junto com o dinheiro público que o pagou.
Horas antes, as autoridades tiveram nova chance de não dar asas ao azar: o novo radar da Prefeitura do Rio e o Instituto Nacional de Meteorologia identificaram previamente a formação da tempestade.
E o que foi feito? Nada. Os órgãos atuaram isoladamente, não como um sistema integrado, em que o alerta se reproduz entre as várias instâncias, tem consequências e salva vidas. Mas não. É como se o radar fosse de enfeite, e o Inmet, só para inglês ver.
Num ótimo artigo, o colega Marcos Sá Correa defendeu que o remédio é responsabilizar homens públicos -e não abstratamente o Estado- pelos crimes que cometem contra a vida. É crime dar levianamente alvará de construção e "habite-se" para imóveis em encostas, fechar os olhos para casas em áreas de risco, desprezar alertas de tempestades e de outras intempéries.
Para complementar a sugestão do Marcos, a Polícia Federal deveria investigar também esse tipo de crime que pode resultar em 500, 600 mortes, famílias inteiras destruídas, casas despedaçadas, bilhões de prejuízos aos bolsos particulares e aos cofres públicos.
Se não vai por bem, vai por mal -na base da ameaça. Mais ou menos como no caso do cinto de segurança: todo mundo só passou a usar depois de criada a multa.
No rastro da Satiagraha, da Sanguessuga, da Castelo de Areia, fica aí a sugestão para o novo diretor-geral da PF, Leandro Coimbra: a operação "Desleixo Assassino".

Eliane Cantanhêde na Folha de São Paulo de 16/01/11

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tragédias: Gastos com prevenção são minimizados


Governos federal e do Estado do Rio empenham mais recursos para consertar tragédias do que para preveni-las

Apesar de liberação rápida, verba para obras de reconstrução pode levar mais de três meses para chegar às cidades


Tanto o governo federal quanto o Estado do Rio gastam muito mais para consertar estragos de desastres naturais do que com prevenção.
O governo fluminense gastou dez vezes mais em consertos do que em prevenção. Reservou R$ 8 milhões para contenção de encostas e repasses às prefeituras para combate a enchentes e deslizamentos. Diante das mortes e da destruição em Angra dos Reis, Niterói e outras localidades, desembolsou R$ 80 milhões para reconstrução.
Segundo a Secretaria de Obras, as prefeituras têm dificuldades para formatar projetos e mapear áreas de risco, o que pode garantir a liberação de verbas de prevenção.
Já a União gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção em 2010.
Conforme a ONG Contas Abertas, que monitora gastos públicos, foram R$ 167,5 milhões para prevenir e R$ 2,3 bilhões para remediar.
O padrão deve se repetir. Já são R$ 700 milhões para o atendimento emergencial das vítimas da região serrana do Rio, verba cinco vezes superior ao que se está previsto para prevenção neste ano.

DEMORA
Quando liberada, porém, verba de reconstrução costuma levar mais de três meses para chegar aos municípios.
A culpa pela demora na liberação dos recursos, afirma o TCU (Tribunal de Contas da União), é dos governos federal, estaduais e municipais, que precisam apresentar um plano de trabalho com dados sobre danos provocados e estimativa financeira para as ações de reconstrução.
Estados e os municípios costumam apresentar planos genéricos e incompletos. A União também falha por ter um quadro técnico restrito para analisar as demandas.
Procurada, a Secretaria Nacional de Defesa Civil não quis comentar os números. Sobre a demora na liberação dos gastos, afirmou que houve "sinais de melhora".
Ainda ontem, o governo anunciou também o envio de 210 homens da Força Nacional para auxiliar nas operações de resgate e identificação dos corpos no Rio.

Da Folha de São Paulo de 14/01/11

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Fabricando a calamidade pública federal, estadual e municipal

Por que será que o governo opta quase sempre por consertar os estragos, e não em preveni-los? 

Para muitos especialistas, a resposta é simples: obras necessárias para prevenção, como contenção de encostas ou retirada de famílias de áreas de risco, não dão voto, mas a verdade é outra: ao decretar estado de calamidade pública, os governantes podem contratar obras em caráter de emergência sem concorrência pública, ou seja, podem roubar à vontade e a lei os protegerá.(1)
No ano passado, segundo a organização não governamental Contas Abertas, o governo federal gastou apenas 40% do que tinha no orçamento para prevenção.
É assim que o governo federal enfrenta os desastres naturais, como enchentes e inundações. No ano passado, foram liberados R$ 168 milhões para prevenção. Já para socorrer as vítimas e remediar os problemas, o governo gastou 14 vezes mais: R$ 2,3 bilhões
Adaptado de texto do G1, com notícia do Bom Dia Brasil de 12/01/11

Chuvas e erros de sempre inundam cidade e matam 4
Com investimento insuficiente em obras antienchente, falha nos sistemas de alerta e as mesmas mazelas de bueiros sujos, acúmulo de lixo e moradias em áreas de risco, São Paulo se viu outra vez refém da chuva.
Foram 127 pontos de alagamento na cidade, recorde desde 2005. Quatro paulistanos morreram; no Estado, houve mais dez mortes. Sinais de alerta não chegaram à população, as marginais Tietê e Pinheiros ficaram alagadas, metrô e trens foram afetados. Milhares não conseguiram ir trabalhar.
Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) voltaram a culpar o volume da chuva pelos transtornos e a prometer mais obras - para o próximo verão. O prefeito, que arrecadou R$ 835 milhões a mais em 2010, tinha R$ 504 milhões orçados para obras anticheias e gastou R$ 430 milhões.
Folha de São Paulo de 12/01/2011

Tempestade e comportas abertas cidade de Franco da Rocha afundar
Franco da Rocha, em SP, fica submersa
Abertura de comportas pela Sabesp agravou cheia, mas empresa diz que sistema no limite não deixou alternativa
Estão sob água o fórum, a prefeitura, a Câmara e outros prédios públicos; inundação chega a mais de 2 m em alguns pontos
Folha de São Paulo de 13/01/11

Se a TV se antecipa à chuva, por que o poder público não pode?
É a pergunta do jornalista Clóvis Rossi na Folha de São Paulo  
Se lá pelas seis da tarde de terça-feira, as equipes de todas as redes de TV estavam a postos na Ponte Pequena, sobre a marginal do Tietê, câmeras apontadas para o que se supunha ser o inevitável transbordamento do rio, como não há um esquema de Defesa Civil que funcione e impeça que o paulistano, o carioca, o mineiro, caia, ano após ano, em uma ratoeira?

Finalizando.
Não vou comentar sobre a tragédia acontecida no Rio de Janeiro, pois ali, a má gestão do dinheiro já é histórica e conhecida, o que explica o fato dos governantes cariocas lutarem tanto pelos royalties do petróleo, querem continuar extorquindo a nação brasileira. 

José Geraldo da Silva

(1) O trecho em destaque é meu.



Quando pensei em escrever o texto acima, a tragédia do Rio ainda não tinha acontecido, quando fiz a postagem, ainda não tinha o tamanho da mesma, minha intenção inicial era falar apenas sobre o governo federal, sobre o estadual paulista tucano e o municipal paulistano demo, ao que parece vai virar a casaca tornando-se pemedebista, mas os fatos falaram mais alto.